Governo Trump impede embaixador na União Europeia de depor em inquérito de impeachment

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Publicado terça-feira, 8 de outubro de 2019 as 14:07, por: CdB

O pedido de comparecimento de Sondland sinalizou uma guinada na investigação porque ele é um doador e um indicado político de Trump.

Por Redação, com Reuters – de Washington

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impediu nesta terça-feira que o embaixador dos EUA na União Europeia deponha no inquérito de impeachment da Câmara dos Deputados sobre o presidente republicano.

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista na Casa Branca
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista na Casa Branca

Gordon Sondland, que doou US$ 1 milhão ao comitê de posse do presidente Donald Trump, deveria se encontrar com membros de três comitês da Câmara a portas fechadas na manhã desta terça-feira para tratar do papel que pode ter tido nos esforços de Trump para induzir a Ucrânia a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, um rival político.

Sondland parecia ter aceitado depor mesmo sem uma intimação, e nesta terça-feira disse por meio de um advogado que espera “que as questões abordadas pelo Departamento de Estado que impedem seu depoimento sejam resolvidas prontamente”.

– Ele continua pronto para depor sem aviso prévio, assim que tiver permissão de comparecer – disse seu advogado, Robert Luskin, em um comunicado.

Não foi possível contatar representantes da Casa Branca e do Departamento de Estado de imediato para obter comentários.

O inquérito de impeachment está se concentrando nas alegações de um delator segundo as quais Trump usou a ajuda militar dos EUA para obter do presidente da Ucrânia a promessa de investigar Biden, um dos principais pré-candidatos para a indicação presidencial democrata para a eleição de 2020, e seu filho, Hunter, que integrou o conselho de uma empresa de gás ucraniana.

Ucrânia

Sondland era uma testemunha-chave dos comitês de Relações Exteriores, Inteligência e Supervisão da Câmara, cujos membros provavelmente lhe indagariam por que ele se envolveu em assuntos com a Ucrânia, que não faz parte da UE.

Segundo mensagens de texto divulgadas por líderes dos comitês na semana passada, Sondland esteve muito envolvido em contatos com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, quando este buscava um encontro com Trump, e autoridades ucranianas expressaram preocupação com a decisão de Washington de bloquear quase US$ 400 milhões de ajuda militar a Kiev.

Em uma das mensagens, por exemplo, Sondland enfatizou que Trump “realmente quer a encomenda”.

O pedido de comparecimento de Sondland sinalizou uma guinada na investigação porque ele é um doador e um indicado político de Trump. Entre as testemunhas anteriores estiveram funcionários de carreira como Kurt Volker, ex-enviado especial para a Ucrânia, e Michael Atkinson, inspetor-geral da comunidade de inteligência dos EUA.

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