Haddad acusa Bolsonaro de comandar esquema criminoso nas redes sociais

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Publicado quinta-feira, 18 de outubro de 2018 as 13:48, por: CdB

A acusação baseia-se em reportagem de um dos diários conservadores paulistanos, publicada nesta quinta-feira. O jornal aponta empresas que apoiam a candidatura de Bolsonaro e firmaram contratos de até R$ 12 milhões com serviços especializados em “disparar” mensagens em massa.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad foi enfático ao acusar o adversário neofascista, Jair Bolsonaro (PSL), de liderar uma organização criminosa com objetivo de distribuir mensagens falsas nas redes sociais, principalmente no WhatsApp. Segundo Haddad, a campanha de Bolsonaro usa dinheiro de caixa dois para espalhar fake news no aplicativo.

O empresário Luciano Hang, dono das Lojas Havan, seria um dos mentores do esquema criminoso na internet
O empresário Luciano Hang, dono das Lojas Havan, seria um dos mentores do esquema criminoso na internet

A acusação baseia-se em reportagem de um dos diários conservadores paulistanos, publicada nesta quinta-feira. O jornal aponta empresas que apoiam a candidatura de Bolsonaro e firmaram contratos de até R$ 12 milhões com serviços especializados em “disparar” mensagens em massa. Segundo a repórter Patrícia Campos Mello, as mensagens são desfavoráveis ao PT. Os serviços contratados preveem o envio de centenas de milhões de mensagens e os pagamentos podem configurar doação ilegal à campanha, uma vez que não foram declarados à Justiça Eleitoral e beneficiariam o candidato do PSL.

— O jornal comprova que o meu adversário, deputado federal por 28 anos, criou uma organização criminosa de empresários que, mediante caixa dois, dinheiro sujo, está patrocinando mensagens, pelo WhatsApp, mentirosas — disse o candidato em entrevista a uma rádio do Rio de Janeiro.

Dinheiro sujo

Haddad prometeu pedir providências para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e para a Polícia Federal. O petista chegou a cobrar a prisão imediata dos empresários envolvidos, que classificou de corruptos.

— Já tem nome de empresário, já tem nome de empresa, já tem contrato, valor pago mediante caixa dois, o que é crime eleitoral. Nós vamos para a Justiça Eleitoral impedir o deputado Bolsonaro de violentamente agredir a democracia como ele fez a vida inteira. Nunca respeitou a democracia e não está respeitando neste momento. Fazer conluio com dinheiro para violar a vontade popular é crime — acusou Haddad.

Haddad, adiante, provocou o adversário e disse que Bolsonaro, que “foge dos debates”, não poderia fugir da Justiça.

— Ele, que diz que faz campanha pobre, foi desmentido hoje. A campanha dele é a mais rica do país, com dinheiro sujo — disse Haddad.

WhatsApp

Segundo apurou a reportagem, cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. A empresa foi protagonistas, há algumas semanas, de uma polêmica propaganda, na qual obrigava os funcionários a declarar voto em Bolsonaro. Foi multada pela Justiça Eleitoral.

Ainda de acordo com a apuração, as empresas apoiando o candidato Jair Bolsonaro (PSL) compram um serviço chamado “disparo em massa”, usando a base de usuários do próprio candidato ou bases vendidas por agências de estratégia digital. “Isso também é ilegal, pois a legislação eleitoral proíbe compra de base de terceiros, só permitindo o uso das listas de apoiadores do próprio candidato (números cedidos de forma voluntária)”, reforça o texto.

“Quando usam bases de terceiros, essas agências oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda. Enviam ao cliente relatórios de entrega contendo data, hora e conteúdo disparado. Entre as agências prestando esse tipo de serviços estão a Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market”, acrescenta.

Empresas privadas

Conforme apurou a reportagem, os preços variam de R$ 0,08 a R$ 0,12 por disparo de mensagem para a base própria do candidato e de R$ 0,30 a R$ 0,40 quando a base é fornecida pela agência. As bases de usuários muitas vezes são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas.

“Empresas investigadas pela reportagem afirmaram não poder aceitar pedidos antes do dia 28 de outubro, data da eleição, afirmando ter serviços enormes de disparos de WhatsApp na semana anterior ao segundo turno comprados por empresas privadas. Questionado se fez disparo em massa, Luciano Hang, dono da Havan, disse que não sabe “o que é isso”.

— Não temos essa necessidade. Fiz uma ‘live’ aqui agora. Não está impulsionada e já deu 1,3 milhão de pessoas. Qual é a necessidade de impulsionar? Digamos que eu tenha 2 mil amigos. Mando para meus amigos e viraliza — justifica.

O outro lado

Procurado pela jornalista, o sócio da QuickMobile, Peterson Rosa, afirma que a empresa não está atuando na política neste ano e que seu foco é apenas a mídia corporativa. Ele nega ter fechado contrato com empresas para disparo de conteúdo político.

Richard Papadimitriou, da Yacows, afirmou que não iria se manifestar. A SMS Market não respondeu aos pedidos de entrevista.

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