Hong Kong alerta Estados Unidos que anular status especial é ‘faca de dois gumes’

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Publicado sexta-feira, 29 de maio de 2020 as 12:00, por: CdB

Hong Kong aconselhou os Estados Unidos a se absterem do debate sobre uma legislação de segurança nacional sendo imposta pela China, e alertou que a revogação do status especial do polo financeiro em respeito a uma lei dos EUA se voltaria contra a economia norte-americana.

Por Redação, com Reuters – de Hong Kong

Hong Kong aconselhou os Estados Unidos a se absterem do debate sobre uma legislação de segurança nacional sendo imposta pela China, e alertou que a revogação do status especial do polo financeiro em respeito a uma lei dos EUA se voltaria contra a economia norte-americana.

Arranhacéus em Hong Kong
Arranhacéus em Hong Kong

O presidente Donald Trump deve anunciar ainda nesta sexta-feira sua resposta à aprovação do Parlamento chinês de uma legislação de segurança para Hong Kong que muitos advogados, diplomatas e investidores temem erodir as liberdades da cidade.

A ex-colônia britânica vem sendo assolada por tumultos civis devido ao receio de que Pequim esteja limitando o alto grau de autonomia de que desfruta graças à fórmula “um país, dois sistemas” adotada quando voltou ao controle chinês em 1997.

– Quaisquer sanções são uma faca de dois gumes que prejudicará não só os interesses de Hong Kong, mas também os dos EUA significativamente – disse o governo pró-China de Hong Kong na noite de quinta-feira.

Parceiros comerciais

Entre 2009 e 2018, o superávit comercial norte-americano de US$ 297 bilhões com Hong Kong foi o maior entre todos os parceiros comerciais de Washington, e 1,3 mil empresas dos EUA têm sede na cidade, disse o governo de Hong Kong.

Pequim disse que a nova legislação, que provavelmente entrará em vigor antes de setembro, combaterá a secessão, a subversão, o terrorismo e a interferência estrangeira na cidade, e também pode levar agências de inteligência chinesas a montarem bases em Hong Kong.

O Ministério da Segurança Pública da China (MPS) disse que irá “direcionar e apoiar a polícia de Hong Kong para deter a violência e restaurar a ordem”. A polícia de Hong Kong é independente da China, e o MPS não tem poder para aplicar a lei na cidade.

Nesta semana, um batalhão de choque disparou spray de pimenta para dispersar milhares de manifestantes durante o primeiro grande tumulto da cidade desde que manifestações antigoverno a paralisaram no ano passado. Houve uma pausa na agitação, em parte por causa do surto de coronavírus, neste ano.

Direitos Humanos

Autoridades chinesas e o governo de Hong Kong dizem que a legislação não ameaça a autonomia da cidade e que os interesses de investidores estrangeiros serão preservados.

O principal conselheiro econômico de Trump, Larry Kudlow, alertou que agora Hong Kong pode ter que ser tratada como a China no tocante ao comércio e outras questões financeiras, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que as autoridades permitam que manifestantes pacíficos exerçam a liberdade de expressão e de reunião livremente.

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