Indicadores econômicos refletem ambiente de volatilidade

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Publicado sexta-feira, 30 de outubro de 2020 as 16:53, por: CdB

Wall Street pouco ajudava a B3, com o S&P 500 em queda de mais de 1% nesta sessão, pressionado pelo recuo em papéis de empresas do setor de tecnologia que divulgaram resultados na véspera, tendo de pano de fundo uma alta recorde de casos do novo coronavírus nos Estados Unidos; além da proximidade da eleição presidencial.

Por Redação – de São Paulo

Todos os indicadores econômicos do mercado financeiro, nesta sexta-feira, apontavam para o terreno negativo, no fechamento da semana com um feriado nacional, na segunda-feira. Tanto no mercado de câmbio, com a moeda norte-americana em alta, quanto na bolsa paulista, com o Ibovespa lutando para manter o sinal positivo no mês, o dia era marcado por volatilidade, em meio à safra de resultados corporativos no Brasil.

O Ibovespa registrava leve queda na sessão desta segunda-feira, com a instabilidade política que tomou conta do Brasil e da América Latina
O Ibovespa realizou pesada queda na sessão desta sexta-feira, com a instabilidade política que tomou conta do Brasil no governo Bolsonaro

Renovados temores de nova onda de contágio pela Covid-19 com o avanço de casos na Europa e EUA, o Ibovespa caía 2,43 %, às 15h03, a 94.176,91 pontos. O volume financeiro chegava a R$ 6,8 bilhões. Em outubro, o Ibovespa agora acumula acréscimo de apenas 0,29%.

Wall Street pouco ajudava, com o S&P 500 em queda de mais de 1% nesta sessão, pressionado pelo recuo em papéis de empresas do setor de tecnologia que divulgaram resultados na véspera, tendo de pano de fundo uma alta recorde de casos de coronavírus nos Estados Unidos e a proximidade da eleição presidencial.

Câmbio

Na visão da equipe da Elite Investimentos, a bolsa brasileira reflete cautela diante de fim de semana prolongado com feriado na segunda-feira e as eleições nos Estados Unidos no dia seguinte, bem como os fechamentos de economias europeias para conter o avanço da covid-19.

Já no mercado de câmbio, o dólar operava com volatilidade ante o real nesta tarde, refletindo a formação da Ptax de fim de mês às vésperas de um fim de semana prolongado, mas caminhava para fechar a semana com ganhos sólidos em meio a temores persistentes sobre a disseminação da covid-19, nas principais economias, e a forte ansiedade antes das eleições norte-americanas.

No início da tarde, no entanto, a moeda corrente dos EUA engatava queda contra o real nesta sexta-feira, cedendo terreno depois de ter superado os R$ 5,80 mais cedo, o que levou o Banco Central a anunciar seu segundo leilão de moeda à vista em apenas três dias. Às 14h42, o dólar recuava 0,28%, a R$ 5,7476 na venda, enquanto o dólar futuro de maior liquidez caía 0,13%, a R$ 5,772.

Disfuncional

Mais cedo, na máxima da sessão, a divisa norte-americana disparou a R$ 5,8090, seu maior patamar desde 15 de maio. Instantes depois, o Banco Central anunciou leilão de moeda spot, em que vendeu US$ 787 milhões.

— A intervenção do Banco Central é uma correção de disfuncionalidades, e correta nesta situação — opinou Alejandro Ortiz, economista da Guide.

Ele ressaltou a disseminação da covid-19 e o nervosismo antes das acirradas eleições norte-americanas como fatores que explicam o salto do dólar a um patamar tão elevado mais cedo, além das persistentes preocupações fiscais domésticas. 

Dia nebuloso

Colaborando para a volatilidade, vários analistas citaram a aproximação de um fim de semana prolongado, marcado pelo feriado do Dia de Finados na segunda-feira. As negociações no mercado local retornam justamente no dia da eleição presidencial nos Estados Unidos.

A proximidade da data da acirrada disputa entre o atual presidente, Donald Trump, e seu adversário democrata, Joe Biden, tem deixado os investidores nervosos, uma vez que o resultado segue nebuloso. Além disso, o evento significa mais um obstáculo para as negociações de novos estímulos fiscais na maior economia do mundo, que provavelmente só serão implementados depois que os norte-americanos forem às urnas.

Enquanto isso, a segunda onda de infecções por coronavírus, com consequente reimposição de lockdowns, segue pesando sobre os mercados. Esta semana foi marcada pelo aumento global de casos em mais de 500 mil pela primeira vez, com França e Alemanha, duas gigantes europeias, se preparando para novas paralisações.

Juros no Copom

“O avanço da covid-19 nos Estados Unidos e na Europa, que pela segunda vez ameaça o crescimento das economias globalizadas, bem como as indefinições quanto ao pacote de ajuda e as eleições norte-americanas, sustentam o pessimismo dos agentes nesse última dia do mês de outubro”, disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, citando também a volatilidade devido à formação da Ptax e ao feriado de segunda-feira.

Nos mercados de câmbio internacionais, o dólar registrava queda de 0,12% contra uma cesta de moedas, enquanto divisas emergentes pares do real apresentavam desempenho misto.

A moeda norte-americana caminhava para fechar a semana — marcada pela decisão do Comitê de Política Monetária de deixar a porta aberta para possíveis cortes de juros no futuro — em alta de cerca de 2,5%. Em outubro, a moeda norte-americana acumula ganho de 2,7%, resultado que deve marcar seu terceiro mês consecutivo de avanço.

O Banco Central realizou, ao longo do dia, leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos, com vencimento em abril e agosto de 2021.

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