Jair Bolsonaro aconselha apoiador a “esquecer PSL”

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Publicado terça-feira, 8 de outubro de 2019 as 13:16, por: CdB

Bolsonaro fez a declaração ao ser abordado por um homem que se apresentava como pré-candidato do PSL em Recife.

Por Redação, com Sputnik e Agências de Notícias – de Brasília

Ao falar com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro cochichou para um jovem apoiador: “esquece o PSL”. Ele também afirmou que o presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, estava “queimado”.

Após a gravação, Jair Bolsonaro comenta com o apoiador de Recife:
Após a gravação, Jair Bolsonaro comenta com o apoiador de Recife: “Não divulga isso não cara”

O diálogo pode ser escutado no programa do Youtube Cafezinho com Pimenta, que grava os tradicionais encontros de Bolsonaro do lado de fora do Alvorada, em Brasília. O presidente estava acompanhado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Bolsonaro fez a declaração ao ser abordado por um homem que se apresentava como pré-candidato do PSL em Recife. O presidente então falou ao pé do ouvido do jovem: “esquece o PSL, tá ok, esquece”.

Em seguida, o apoiador faz um vídeo ao lado do político e diz: “Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”.

Logo após a gravação, Bolsonaro comenta: “Não divulga isso não cara. O cara tá queimado para caramba lá. Vai queimar meu filme. Esquece esse cara. Esquece o partido”. O jovem concorda e diz que vai apagar as imagens: “Vou esquecer”. Depois, ele consegue se aproximar novamente do presidente e grava novo vídeo, falando apenas: “Viva o Recife, eu e Bolsonaro”.

Bivar, que é deputado federal por Pernambuco, está sendo investigado pelo Ministério Público Eleitoral do estado por por suspeitas de caixa dois em sua campanha.

Porta-voz garantiu que Bolsonaro fica no PSL

A legenda vive um momento crítico devido às denúncias de que usou candidatas laranjas para desviar verbas. O caso levou à saída de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência em fevereiro.

O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais apresentou na última sexta-feira à Justiça denúncia contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), e mais 10 pessoas, por crimes relacionados à apresentação de candidaturas de fachada do PSL nas eleições de 2018.

A acusação criminal tem como base o indiciamento feito pela Polícia Federal do ministro do Turismo. Antônio presidiu o diretório mineiro do PSL —partido do presidente Jair Bolsonaro—e é suspeito de envolvimento na escolha de candidaturas de fachada com o objetivo de desviar recursos públicos do fundo eleitoral.

Caberá à Justiça decidir se acata ou não a denúncia contra o ministro. Se isso ocorrer, ele vira réu e vai responder a um processo criminal no qual poderá ser condenado ou absolvido.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, informou após a notícia do indiciamento pela PF que “o presidente (Jair Bolsonaro) aguardará o desenrolar do processo e o ministro permanece no cargo”.

Em nota também divulgada após a revelação do indiciamento pela PF, o Ministério do Turismo afirmou que Antônio ainda não havia sido notificado oficialmente da decisão, mas reafirmava sua confiança na Justiça e sua convicção de que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada.

Bolsonaro se filiou ao PSL para concorrer à presidência, mas poderia estar deixando o partido. Na segunda-feira o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o político não pretende mudar de sigla: “Não há da parte do presidente, agora, nenhuma formulação com relação a uma suposta transição do partido”.

Luciano Bivar nega existência de caixa 2

O presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), disse nesta segunda-feira que não faz sentido a suspeita de caixa 2 na campanha do presidente Jair Bolsonaro na investigação do suposto esquema irregular das campanhas do partido em Minas Gerais.

Bivar disse também não ver motivos para que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que presidia o PSL em Minas durante a campanha, seja demitido do governo após ele ter sido denunciado na sexta-feira passada por envolvimento em suposto esquema de candidaturas-laranjas.

– O que foi o seguinte: toda campanha era feita umbilicalmente entre os candidatos e o presidente (Bolsonaro), foi por isso que fizemos 52 deputados federais, devido ao carisma do nosso presidente – disse Bivar à agência de notícias britânica Reuters.

– Todos candidatos e candidatas tinham fotos juntas, não significa que aquilo foi caixa 2 para o presidente – acrescentou, defendendo mudanças legislativas para acabar com a chamada cota de gênero para desobrigar os partidos a terem uma participação mínima de 30% de candidaturas femininas.

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