Jair Bolsonaro afirma que não irá parabenizar Fernández

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 28 de outubro de 2019 as 10:59, por: CdB

Durante a campanha eleitoral argetnina, Bolsonaro quebrou a tradição da posição brasileira de não comentar as questões políticas internas dos vizinhos e ameaçou tentar suspender a Argentina do Mercosul.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro lamentou nesta segunda-feira a vitória do candidato de centro-esquerda Alberto Fernández na eleição presidencial argentina e disse que não irá parabenizá-lo pelo resultado, reiterando que o país vizinho pode inclusive ser afastado do Mercosul.

Nas primárias argentinas, Jair Bolsonaro chegou a chamar a oposição do país vizinho de esquerdalha
Nas primárias argentinas, Jair Bolsonaro chegou a chamar a oposição do país vizinho de esquerdalha

– Lamento, eu não tenho bola de cristal, mas acho que a Argentina escolheu mal. Primeiro ato do Fernández foi já Lula Livre, dizendo que ele está preso injustamente, já disse a que veio – disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar os Emirados Árabes Unidos a caminho do Catar, sua próxima parada em uma viagem pela Ásia e o Oriento Médio.

Perguntado se daria os parabéns a Fernández, que derrotou o presidente neoliberal Mauricio Macri na votação de domingo, Bolsonaro respondeu que não, mas ressaltou que não vai se indispor.

– Vamos esperar o tempo para ver qual é a posição real dele na política. Ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo, e vamos ver qual linha ele vai adotar – afirmou.

Após o resultado das primárias, em agosto, Bolsonaro foi indagado sobre se procuraria Fernández caso ele vença a eleição presidencial e a resposta já havia sido não.

– Não, não. Ele é que vai ter que dar o sinal. Quando eu tomei posse eu falei que ia manter a democracia, a liberdade, abrir o mercado, respeitar as religiões, e é isso que eu estou fazendo – disse.

A vitória de Fernández, que tem a ex-presidente argentina Cristina Kirchner como vice, levou o peronismo de volta ao poder na Argentina após uma profunda crise econômica atravessada pelo país durante o governo Macri.

Durante a campanha eleitoral no país vizinho, Bolsonaro quebrou a tradição da posição brasileira de não comentar as questões políticas internas dos vizinhos e ameaçou tentar suspender a Argentina do Mercosul.

O presidente voltou a comentar essa possibilidade após a confirmação da vitória de Fernández, dizendo que será considerada caso o futuro governo argentino prejudique o acordo negociado pelo bloco com a União Europeia.

– Se interferir (no acordo Mercosul-União Europeia), segundo o Paulo Guedes, nós, não digo que sairemos do Mercosul, mas podemos juntar ali Paraguai, não sei o que vai acontecer nas eleições do Uruguai, e decidirmos se a Argentina fere alguma cláusula do acordo ou não – disse Bolsonaro.

– Se ferir, podemos afastar a Argentina, mas a gente espera que nada disso seja necessário fazer. Espero que a Argentina não queira, na questão comercial, mudar o seu rumo – acrescentou.

Para Bolsonaro, esquerdalha

Em agosto, Bolsonaro disse que a Argentina poderia enfrentar uma crise migratória, com cidadãos deixando o país em direção ao Brasil, caso a oposição ao presidente Mauricio Macri conquistasse as eleições de outubro, como aconteceu em uma votação primária.

– Não se esqueçam, mais ao sul, da Argentina, o que aconteceu nas eleições de ontem. A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma Rousseff, que é a mesma de Maduro, Chávez e Fidel Castro, deu sinal de vida aqui – disse Bolsonaro.

– Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo Estado de Roraima, e não queremos isto, irmãos argentinos fugindo para cá, tendo em vista o que de ruim parece que deve se concretizar por lá caso essas eleições realizadas ontem se confirmem agora no mês de outubro – acrescentou.

Carta de Cristina Kirchner à Jair Messias

Neste domingo a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, enviou uma carta ao presidente brasileiro. Em seu texto, Cristina pede ao brasileiro que não deixe de falar bobagens, já que ele se tornou o grande cabo eleitoral da oposição do país vizinho.

“Gentil Sr. Jair Messias,

Gostaria de agradecer por sua importante ajuda nos comícios da Argentina neste domingo, que nos garantem o direito de retornar à Casa Rosada. As bobagens e ameaças pronunciadas por você deram um grande impulso em nossa campanha, tantas foram as imbecilidades ditas por você publicamente.

Alberto e eu estamos muito satisfeitos com suas conversas, especialmente agora que estamos perto de vencer as eleições no primeiro turno. Peço-lhe para não parar de falar bobagens e absurdos. Depois, temos eleições no Uruguai e, talvez, seja possível também no Equador e no Chile.

Você é o nosso grande cabo eleitoral.

De Buenos Aires, com amor e gratidão, saudações de Cristina Kirchner, admiradora de sua incrível capacidade intelectual. ”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *