Laboratório produz pele humana para substituir testes em animais

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Publicado quinta-feira, 12 de setembro de 2019 as 11:07, por: CdB

A lei que estabelece novas regras para o uso de animais em testes estipulou o prazo de cinco anos para que os pesquisadores se adaptassem e utilizassem formas alternativas.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

A lei que estabelece novas regras para o uso de animais em testes estipulou o prazo de cinco anos para que os pesquisadores se adaptassem e utilizassem formas alternativas. O prazo de cinco anos termina no dia 24 de setembro deste ano.

O processo começa com a doação de restos de cirurgias plásticas para o laboratório.

A resolução normativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações reconhece o uso de métodos alternativos válidos que possam reduzir ou substituir o uso de animais em atividades de pesquisa. De acordo com a resolução, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) reconhece 17 métodos

Neste mês, o Laboratório Episkin, que é uma subsidiária da L´Oreal, foi inaugurado no Brasil. O laboratório fica no Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oréal, na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.

Pioneiro mundial em reconstrução de pele, o laboratório de bioengenharia de tecidos vai disponibilizar pele reconstruída para testes em produtos. O material produzido pela unidade será utilizado em substituição ao uso de animais como cobaias em testes de produtos.

Cirurgias plásticas

O processo começa com a doação de restos de cirurgias plásticas para o laboratório. Daí se extraem os chamados queratinócitos. Essas células são cultivadas em placas de cultura e, depois de 17 dias em contato com o ar, se proliferam, formando múltiplas camadas de pele.

O laboratório já produziu mais de 5 mil tecidos de pele reconstruídos que foram utilizados no treinamento de mais de 100 pesquisadores no Mercosul, o que possibilitou a implementação de métodos alternativos em diversos laboratórios interessados em reduzir ou substituir os testes em animais.

Asas do Bem

Quando uma família diz “sim” para a doação dos órgãos de um ente querido que acaba de falecer, centenas de pessoas começam a trabalhar para salvar vidas! É depois desse sim que as equipes de saúde se preparam para retirar os órgãos que serão doados a quem espera por um transplante. Ao mesmo tempo, em outro canto do país, outra equipe se prepara para transplantar esses mesmos órgãos.

Também é após esse “sim”, que se inicia uma corrida contra o tempo. Levar a doação o mais rápido possível ao destino é essencial para o sucesso do transplante. Isso porque os órgãos possuem tempo determinado de viabilidade fora do corpo e qualquer demora pode ocasionar a perda desse órgão.

No passado, a grande maioria das doações de órgãos no Brasil ocorria nos mesmos estados onde eram realizados os transplantes. “Por isso não havia a demanda por transporte de órgãos em todo o Brasil. As doações ocorriam principalmente nas regiões sul e sudeste. À medida que começamos a incentivar a doação de órgãos, foi aumentando o número de órgãos doados em outros estados onde isso não era comum”, explica Daniela Salomão, Coordenadora-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

Mas como fazer chegar órgãos a quem precisa, estando em um país de dimensões geográficas continentais? Em busca de uma resposta efetiva para aumentar o aproveitamento dos órgãos doados no país, o Governo Federal iniciou as conversas com as companhias aéreas. E assim, desde 2001, uma parceria firmada entre o Ministério da Saúde e as empresas aéreas brasileiras permite, sem ônus algum, o transporte de órgãos, tecidos, equipes e insumos para transplantes.

Hoje, as companhias aéreas são responsáveis por transportar mais de 90% de órgãos, tecidos e as equipes de saúde que fazem os transplantes. É um trabalho que envolve responsabilidade e muita segurança. “Só o avião é capaz de diminuir distâncias, diminuir o tempo e permitir que um coração, um rim, seja transportado em poucas horas e possa salvar vidas”, defende Adrian Alexandri, diretor de Comunicação da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR).

Além das empresas aéreas privadas, a Força Aérea Brasileira (FAB) também ajuda nesse tipo de missão. Desde a assinatura do decreto nº 8.783, de 06 de junho 2016, aeronaves da Força Aérea Brasileira realizam o transporte de órgãos para transplantes no país. “Quando o tempo entre a retirada do órgão e o implante é muito curto, a gente pede apoio à FAB e, assim, a gente tem cada vez mais aumentado o número de voos brasileiros que transportam vida”, destaca a Coordenadora-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

O tempo é curto

O transporte de um órgão é um processo muito complexo, que exige cuidado desde quando é colocado na caixa até o momento em que a equipe que chega ao aeroporto para levar essa caixa até o piloto. “A equipe do avião deve ter agilidade e cuidado pois esse voo tem prioridade de embarque, de pouso e decolagem. É o trabalho do controle aéreo, do sistema brasileiro aeroportuário, que faz com que esse órgão seja transportado o mais rápido possível. Esse trabalho necessita de profissionais treinados e engajados, sensibilizados com a causa”, explica Adrian Alexandri.

O trabalho em equipe é fundamental para que o transporte ocorra em tempo hábil. É preciso que todos estejam atuando de forma sincronizada para o sucesso desse processo, é como se fosse uma corrida, onde um passa o bastão para o outro e tem que chegar na linha final a tempo. “O processo começa na autorização familiar. No momento da autorização é possível saber se aquele órgão vai ou não ser disponibilizado para transplante, porque a central estadual é que define através de um sistema informatizado do Ministério da Saúde, para quem irá aquele órgão”, esclareceu Daniela.

Doação

Doar órgãos é salvar a vida de alguém que a pessoa nunca viu. É o ato de transformar a tristeza por quem se foi, na alegria por quem pode ficar. “É fazer o bem para uma pessoa desconhecida, mesmo depois que a vida se apagou no corpo de um ente querido. É tudo com muita urgência e a logística de transporte faz toda diferença. As pessoas que trabalham com doação e transplante entendem essa urgência e que a oportunidade às vezes é única, então essas pessoas não medem esforços e todo mundo trabalha com coração. Quem doa, doa com o intuito de salvar uma vida e cabe a nós fazermos com que esse órgão chegue a quem precisa, independente de estar ou não no mesmo estado onde ocorreu a doação”, descreveu Daniela.

Uma doação salvou a vida de Robério Melo, empresário de 55 anos e que há dois, precisou de um transplante de fígado. “Digam sim para doação de órgãos, as pessoas não estarão salvando só uma vida, mas uma família inteira”, contou ele.

Como recado final ele deixa a seguinte mensagem: “esse sistema funciona muito bem, eu daria uma nota 10 para esse processo, são muitas pessoas envolvidas nisso e todas elas fazem muito bem o seu serviço. Todo mundo é dedicado, todo mundo faz com amor. E amor gera amor. Hoje eu estou aqui porque uma pessoa disse sim e o processo aconteceu, minha vida está salva e eu estou muito feliz”, completou.

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