Ligações tenebrosas entre os Estados Unidos e a Lava Jato ganham repercussão na Europa

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Publicado terça-feira, 17 de novembro de 2020 as 16:44, por: CdB

O jurista Rafael Valim foi indagado se haveria algum mérito na operação Lava Jato. Ele afirma que a operação é um projeto autoritário de poder. E que teve seus processos  desnudados com a subida de Bolsonaro à Presidência.

Por Redação, com agências internacionais – de Lisboa

Os contatos entre integrantes da Operação Lava Jato e as agências de inteligência do governo norte-americano, incluindo a parceria entre a Polícia Federal (PF) e o Federal Bureau of Investigation (FBI, equivalente à PF brasileira) com o intuito básico de incriminar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retirá-lo da eleição presidencial de 2018 e abrir caminho para a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), ganhou repercussão internacional, nesta terça-feira.

Zanin protestou contra ação em seu escritório
Zanin apurou a relação entre a Lava Jato e os organismos de inteligência dos Estados Unidos, no livro Lawfare

O Diário de Notícias, um dos jornais portugueses mais influentes, estampa a foto de Lula na capa, na chamada para uma entrevista com os advogados de defesa do ex-presidente Cristiano Zanin e Valeska Martins, e o jurista Rafael Valim. Os três estão em Lisboa para o lançamento do livro Lawfare: uma introdução, que trata da manipulação da justiça com fins políticos, como é o caso da operação que exerceu a perseguição a Lula.

Justiça

Zanin comenta, na entrevista concedida aos jornalistas, que todos os processos contra o ex-presidente têm em comum o fato de serem desprovidos de materialidade.

— São hipóteses acusatórias construídas não com base em elementos concretos. Mas com base na convicção, ou seja, naquilo que alguns membros do sistema de justiça brasileiro, que não gostam do ex-presidente Lula, imaginaram com o objetivo de o colocar na prisão e para o retirar da política — confirma.

Pré-sal

Quanto às articulações entre a Lava Jato e o governo dos EUA, nos bastidores das acusações a Lula, Valeska Martins afirma que essa conjugação de interesses geopolíticos norte-americanos e interesses políticos e pessoais de alguns integrantes do sistema de justiça do Brasil se dá a partir de provas que a defesa tem coletado.

— Após ter descoberto petróleo na camada de pré-sal e definido a sua partilha, o Brasil se tornou um alvo dos Estados Unidos. Tanto é que em 2013 houve uma primeira investida com a espionagem da Petrobras, da então presidente da República Dilma Rousseff e de membros do alto escalão de seu governo — disse Valeska.

Corrupção

O jurista Rafael Valim foi indagado se haveria algum mérito na operação Lava Jato. Ele afirma que a operação é um projeto autoritário de poder. E que teve seus processos ou propósitos completamente desnudados com a subida de Bolsonaro à Presidência. A defesa de Lula entende que Bolsonaro não estaria no Palácio do Planalto hoje sem a prática de lawfare contra o ex-presidente Lula.

— A título de combater a corrupção, arruinou-se a economia brasileira e abriu-se caminho para uma profunda crise democrática, de que são exemplos eloquentes a destituição ilegítima de uma presidente da República e a ascensão de um líder de extrema-direita antitético aos nossos valores constitucionais — resumiu Valim.

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