‘Lobo-guará’ vira ‘mico’ e não chega circular para maioria dos brasileiros

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Publicado quarta-feira, 13 de janeiro de 2021 as 18:22, por: CdB

Ao lançar o meio circulante, em agosto do ano passado, o BC previa fabricar 450 milhões de notas estampadas, no total de R$ 90 bilhões. Durante a solenidade, o Banco adiantou o gasto de R$ 113,8 milhões a mais do que estava inscrito no orçamento anual para a produção de novas cédulas, sem uma justificativa plausível para a despesa.

Por Redação – de Brasília

A decisão do Banco Central (BC) de colocar em circulação a nota de R$ 200, com a efígie do lobo-guará, transformou-se em um “mico-preto”, disse um operador de câmbio ouvido pela reportagem do Correio do Brasil, em condição de anonimato. O comentário ocorreu depois de a autoridade monetária revelar que circulam apenas 12,7% do total de cédulas programadas para 2020. Até a véspera, a autarquia havia adquirido 57,3 milhões de unidades, a um custo de R$ 11,4 bilhões.

A nota de R$ 200 traz o desenho de um lobo-guará, espécie do Serrado em processo de extinção
A nota de R$ 200 traz o desenho de um lobo-guará, espécie do Serrado em processo de extinção

Ao lançar o meio circulante, em agosto do ano passado, o BC previa fabricar 450 milhões de notas estampadas, no total de R$ 90 bilhões. Durante a solenidade, o Banco adiantou o gasto de R$ 113,8 milhões a mais do que estava inscrito no orçamento anual para a produção de novas cédulas, sem uma justificativa plausível para a despesa que antecipava, ainda outras 170 milhões de cédulas de R$ 100.

O BC esperava, na época, um aporte extra de recursos para aquisição e distribuição de dinheiro. Em julho, apenas mês antes de o ‘lobo-guará’ entrar em circulação, o volume disponível de recursos chegava a R$ 788 milhões. Em janeiro era de R$ 635 milhões e em novembro R$ 816 milhões.

Lavagem

A justificativa para produzir a cédula com maior valor de face previsto no Plano Real, segundo o BC, era atender à maior demanda por papel-moeda com o pagamento do auxílio emergencial, embora não tenha apresentado um estudo para sustentar o argumento.

Apesar do aumento pontual por dinheiro em espécie, no entanto, a demanda caiu após o encerramento do auxílio emergencial, em dezembro último. Agora, de acordo com o próprio Banco, há a expectativa de retirada de papel-moeda do mercado.

Desde o lançamento da nota com o lobo-guará, a polêmica já estava instalada no mercado por dificultar o troco na hora da compra e levantar o risco que significa o transporte de recursos em espécie, no caso dos crimes de lavagem de dinheiro.

Novo Pix

Outro ponto polêmico foi a decisão de investir na produção de uma nota com valor considerado alto a apenas três meses da entrada em funcionamento do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. A ferramenta teve início em novembro exatamente com o objetivo de reduzir o uso do meio circulante.

O BC, por sua vez, argumenta que o ritmo de uso da cédula de R$ 200 “vem evoluindo em linha com o esperado, e deverá seguir em emissões ao longo dos próximos exercícios”, segundo nota distribuída nesta segunda-feira.

O Banco afirma, ainda, que não estabelece metas para emissão ou retirada de papel-moeda de circulação. O BC afirmou ainda atuar “de forma a prover a demanda do mercado por numerário”. Ainda segundo a autoridade, não há definição da quantidade de cédulas de R$ 200 que serão emitidas neste ano. Segundo o BC, o contrato de fornecimento dos impressos ainda está “em fase de análise”.

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