Luciano Huck promove jantar para políticos, de olho na Presidência

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Publicado quinta-feira, 26 de setembro de 2019 as 14:35, por: CdB

O apresentador global reuniu nomes da direita brasileira como Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e ACM Neto.

Por Redação, com Vermelho – do Rio de Janeiro

O apresentador global Luciano Huck reuniu em um jantar em sua casa, no Rio de Janeiro, políticos da direita brasileira como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o economista Armínio Fraga, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, os ex-ministros Mendonça Filho e Raul Jungmann, o presidente do Cidadania, Roberto Freire, o líder do partido na Câmara, Daniel Coelho (PE), além dos empresários Leandro Machado (movimento Agora!) e Eduardo Mufarej (RenovaBR).

O apresentador global, Luciano Huck, além de reunir nomes fortes da direita em jantares também tem viajado pelo Brasil para conquistar apoios
O apresentador global, Luciano Huck, além de reunir nomes fortes da direita em jantares também tem viajado pelo Brasil para conquistar apoios

O encontro ocorreu em 16 de setembro e deixou claro que o apresentador global já se porta como pré-candidato à Presidência. De acordo com jornalistas da grande mídia, o time peso-pesado do PSDB, do DEM e do Cidadania (antigo PPS) viu tudo com bons olhos. Até porque, quando Huck foi perguntado se não temia novo veto da Globo à sua candidatura, o novo “queridinho” da direita respondeu que não. Segundo ele, muito provavelmente a Globo será contra sua permanência nos quadros da emissora assim que anunciar a candidatura. Mas ele disse estar disposto, desta vez, a “enfrentar o desafio”.

Embora todos os presentes ao jantar tenham se declarado simpáticos à pré-candidatura, a opinião generalizada – inclusive do possível candidato – é de que é muito cedo para qualquer anúncio. E também concordam que há uma primeira barreira a ser ultrapassada: as eleições municipais de 2020, que podem – ou não – dar um sinal da força de movimentos de renovação política nos quais Huck se engajou, como o Agora! e o RenovaBR.

O apresentador quer eleger uns 4 mil vereadores, que dariam alguma capilaridade à eventual campanha presidencial de 2022. A aliança também depende do desempenho dos partidos envolvidos. Isso será importante para definir inclusive a sua filiação como candidato, hoje mais próxima do Cidadania.

A direita precisa ainda avaliar o desempenho de outros pleiteantes, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Hoje, o tucano tem se lançado como o principal adversário de Jair Bolsonaro pelo “centro”, mesma faixa em que Huck pretende se colocar, mesmo sendo, um e outro, conservadores, de direita. Se Doria demonstrar força nas eleições municipais, a velha guarda do tucanato, que não vê o governador com bons olhos, terá dificuldades de impor uma aliança em torno da candidatura Huck.

Por fim, acreditam não vale apressar a ruptura com a Globo, de onde sai a grande visibilidade do apresentador. Na realidade, a “ruptura”, apostam os presentes, seria apenas formal. Do jeito que o atual presidente da República tem declarado guerra à emissora, a Globo talvez torcesse por um nome capaz de derrotá-lo em 2022.

Em 2018, quando Huck aventou sair candidato, a Globo deixou claro que ele não só teria que se desligar da emissora como também não voltaria aos seus quadros, caso fosse derrotado. Desta vez, a expectativa é de que as portas não estariam fechadas para um eventual retorno. O fato é que os presentes ao jantar saíram seguros de que, desta vez, as chances de candidatura do apresentador são maiores, assim como sua disposição de não desistir.

A movimentação de Luciano Huck não se restringiu ao jantar. Ele tem viajado pelo Brasil em busca de apoios. Ainda na semana passada, depois do encontro do Rio, foi almoçar em São Paulo com a cúpula do DEM, incluindo o vice-governador, Rodrigo Garcia.

O discurso oficial é o de que ele está imerso em uma jornada de busca por conhecimento, mas a expressão “candidato a candidato” passou a ser vista como mais apropriada para o momento de Huck. Com a preparação, ele chegaria a 2022 com a ideia amadurecida, diferentemente do que ocorreu em 2018, quando acabou atropelado por acontecimentos e concluiu prescindir de uma estrutura sólida o suficiente para encarar uma batalha presidencial.

Antipetismo

Nessa mesma toada, Huck adota publicamente um discurso de conciliação e respeito às diferenças. Há alguns dias, em um seminário promovido pela revista Exame em São Paulo, disse ser uma pessoa “com a cabeça aberta”, avessa à lógica de polarização. À esquerda, contudo, ele direcionou ataques desde o segundo turno da eleição de 2018. Quando a disputa estava entre Bolsonaro e o petista Fernando Haddad, Huck falou: “No PT eu nunca votei e jamais vou votar. Isso é fato”.

Enquanto tenta se colocar como alguém que circula bem da Faria Lima (a avenida do PIB em São Paulo) aos grotões do país (onde entrevista anônimos para quadros de seu programa), Huck e seus correligionários sondam o terreno. E no caminho há João Doria. Ainda que o pleito esteja distante, interlocutores do apresentador já fazem cálculos e projeções de cenário. Dizem que ambos têm pontos fracos e fortes.

Huck e Doria, não por acaso, viraram alvo de ataques de Bolsonaro – e pelo mesmo motivo. Em agosto, o presidente disse que ambos se aproveitaram da “teta” do BNDES, por terem comprado jatinhos a juros subsidiados pela instituição. O apresentador, em resposta, sustentou que a negociação foi feita dentro da lei. Depois decidiu se calar sobre o episódio, no estilo “quando um não quer, dois não brigam”.

Recentemente, o global disse a amigos ter ficado com a impressão de que o escândalo pretendido por Bolsonaro teve efeito passageiro, já que, nas incursões país afora para gravações, ele não ouviu comentários sobre o tema. Mas o entorno de Huck está consciente de que polêmicas nas quais ele se envolveu ao longo da vida voltarão à tona no contexto de guerra eleitoral. Além do jatinho, o grupo antevê adversários resgatando a amizade do apresentador com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG).

Para isso o posicionamento também já está dado: Huck era, nas palavras de um interlocutor, “amigo de balada” do tucano, que caiu em desgraça após a Lava Jato. O apresentador disse que sentiu “enorme tristeza” com o que foi revelado pelas investigações e que se decepcionou com Aécio, para quem fez campanha na eleição presidencial de 2014.

Questionada, a emissora diz ter “uma política interna sobre eleições ainda mais rigorosa do que a lei”. Segundo a nota, o canal “respeita a liberdade de manifestação de pensamento, expressão e informação” dos funcionários, “mas entende que posicionamento pessoal e profissional não podem se misturar”. A Globo afirmou que, no período que antecede anos eleitorais, lembra a profissionais de seus quadros “sobre as regras que, entre outras restrições, impedem que contratados da emissora que desejem se candidatar permaneçam no ar em qualquer programa”.

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