Lula assegura que será candidato e manda recado sobre espólios do PT

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Publicado sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018 as 14:22, por: CdB

Lula diz que não está “acima da lei. Mas estou acima da mentira. Sei que o meu julgamento é político. Nenhum partido, nenhum banqueiro, nenhuma revista, nenhum jornal quer que eu disputa as eleições”.

 
Por Redação, com RBA – de São Paulo

 

Ao comemorar os 38 anos de criação do PT, completados dia 10, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “todos” querem vê-lo fora da disputa eleitoral; para que sobre uma vaga no segundo turno. Ele voltou a chamar de “mentirosa” a sentença do juiz Sérgio Moro, ratificada em segunda instância, e disse estar “de olho” naqueles que estariam disputando seu espólio e o do partido.

— Estou só olhando, só matutando o que eles estão fazendo — avisou Lula, enquanto líderes da legenda reafirmaram que não existe “plano B” em relação à candidatura para a Presidência da República.

Lula diz que está atento aos adversários que tentam se beneficiar de espólios do PT
Lula diz que está atento aos adversários que tentam se beneficiar de espólios do PT

Segundo o ex-presidente, excluí-lo da eleição seria um erro a ser julgado pela história.

— Eles não têm a noção do crime que estão cometendo contra a democracia neste país — afirmou durante evento na noite passada na Casa de Portugal; no bairro da Liberdade, região central de São Paulo.

Honra

Lula diz que não está “acima da lei”.

— Mas estou acima da mentira. Sei que o meu julgamento é político. Nenhum partido, nenhum banqueiro, nenhuma revista, nenhum jornal quer que eu disputa as eleições. Eles sabem que se eu for candidato só vai sobrar uma vaga no segundo turno — disse Lula.

Ele ironizou Michel Temer:

— Até ele acha que tem chance, se eu não for candidato.

O ex-presidente chamou de “analfabetos políticos” aqueles que o interrogaram. E, mais uma vez, atacou a sentença, que segundo ele atinge sua honra.

— Caráter a gente não compra no supermercado ou no shopping. A gente tem ou não tem. Se eles quiserem me tirar do jogo, vão ter de cometer um crime contra a Constituição — disse.

Unidade

Além de vários líderes petistas e ex-ministros, participaram do ato os vice-presidentes do PCdoB, Walter Sorrentino, e do PCO, Antonio Carlos Silva. Sorrentino afirmou que seu partido e o PT são “aliados estratégicos” e estarão unidos “antes, durante e após as eleições”. Chamou Lula de “maior líder político do povo brasileiro, não só da esquerda” e afirmou que a aliança “em torno do Brasil; da democracia e dos trabalhadores vai continuar”. O PCdoB tem uma pré-candidatura própria, da deputada estadual gaúcha Manuela d´Ávila.

Também ligado à legenda comunista, o presidente da CTB, Adilson Araújo, discursou pela unidade.

— A esquerda brasileira tem muita responsabilidade com o futuro próximo do nosso país — afirmou

E citou o slogan da campanha petista em 1989 (“Sem medo de ser feliz”). Destacou, ainda, o “ciclo mudancista” liderado por Lula em seus governos.

— Lula vai saber liderar uma frente ampla de esquerda, para que a gente possa efetivamente sacudir a poeira e dar a volta por cima — acrescentou.

Silva, do PCO, disse que nos últimos anos a direita e até parte da esquerda, “ou que se diz de esquerda”, chegou a comemorar a “morte” do PT e disputar sua herança.

— Vemos com muita alegria que esse prognóstico não se realizou — acrescentou. Disse, ainda, que a presidenta deposta Dilma Rousseff saiu do Palácio do Planalto “com atestado de idoneidade”; e foi substituída por uma quadrilha. 

Esquerda

Segundo ele, setores conservadores não querem eleições neste ano.

— A direita, que não tem não tem candidato para derrotar o presidente Lula em eleições limpas, está disposta a tudo — disse.

Garantir o processo exige mobilização, continuou:

— ão vai ser por acordo, vai ser na rua, pelos meios que forem necessários.

Presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) disse que o ato da noite desta quinta-feira era, sobretudo, uma reafirmação da candidatura e um desagravo a Lula.

— É candidato de parcela expressiva do povo brasileiro. É tarefa do PT cuidar de Lula. O PT não tem plano B. O plano do PT é Lula. Essa história de plano B é daqueles que não estão no nosso partido, que não querem efetivamente que a esquerda tenha um candidato competitivo — concluiu.

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