Lula denuncia queima das reservas internacionais, na crise dos dólares

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Publicado terça-feira, 10 de março de 2020 as 18:34, por: CdB

“A única coisa que ajuda são as reservas internacionais, deixadas por Lula, que Bolsonaro queima”, escreveu a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “O governo já queimou cerca de US$ 42 bilhões das reservas deixadas por Lula e Dilma. Só hoje, o BC vendeu mais US$ 3 bilhões”, completou Lula, no Twitter.

Por Redação – de São Paulo

O ex-presidente Lula foi às redes sociais para apontar o estrago causado no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, na área cambial. O líder popular apontou que o governo atual já queimou US$ 42 bilhões das reservas acumuladas por ele e por Dilma Rousseff em seus governos.

Na entrevista à TVT, Lula admite que faltou coragem à direção do PT para enfrentar a onda fascista que assola o país
Lula conseguiu, durante seu governo, formar um colchão de reservas de dólares, para enfrentar crises internacionais

“A única coisa que ajuda são as reservas internacionais, deixadas por Lula, que Bolsonaro queima”, escreveu a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “O governo já queimou cerca de US$ 42 bilhões das reservas deixadas por Lula e Dilma. Só hoje, o BC vendeu mais US$ 3 bilhões”, completou Lula, no Twitter.

Nesta terça-feira, Banco Central (BC) realizou mais um leilão de dólares à vista, referenciado à Ptax, em uma operação que pune, severamente, as reservas internacionais do governo. A operação foi realizada entre 9h10 e 9h15, com a oferta de até US$ 2 bilhões.

Êxodo

Na véspera, o BC vendeu US$ 3 bilhões em leilão à vista referenciado à Ptax, pela manhã, em operação semelhante. À tarde, a autoridade monetária realizou mais uma oferta à vista, com a venda de US$ 465 milhões. O dólar comercial fechou em alta de 1,97%, no final do último pregão, a R$ 4,7251 na compra e a R$ 4,7256 na venda.

Nesta manhã, o mercado acionário brasileiro tentava se recompor do dia de pânico vivido no pregão da véspera, marcado mais uma vez pelo nervosismo com o avanço do novo coronavírus pelo mundo e, agora, pelo Brasil. Segundo dados recentes da B3, os investidores estrangeiros tem reagido mal à conjuntura política brasileira e a fuga de capitais supera os R$ 45 bilhões. O número supera o saldo negativo recorde de todo o ano de 2019, que foi de R$ 44,517 bilhões.

O desempenho fraco do Ibovespa ocorre em meio a um mau humor do estrangeiro com o mercado brasileiro. Além de as reformas estarem estacionadas, o clima político constantemente tenso é apontado como um dos motivos para afugentar o capital externo. Em comparação, a perda do Ibovespa é superior a do índice S&P 500 – o mais amplo de Nova York –, que recuou 8% em 2020. O índice MSCI para mercados emergentes caiu 10,50% desde o início do ano.

— Quando o presidente da República convoca para manifestações que indicam um endurecimento do regime e chama um palhaço para responder aos jornalistas, em uma situação grave como a que vivemos, parece irreal. Mas isso aconteceu e em um momento em que – basta olhar para o câmbio – temos sofrido mais do que outros emergentes — afirmou uma fonte do mercado de capitais.

Estabilidade

Ainda segundo o operador, os investidores estrangeiros “continuam saindo”.

— O que temos agora é um momento de apreensão, com perdas muito espalhadas. Apenas alguns setores, como o de energia elétrica, defensivo, e parte do de saúde, como o de diagnósticos, estão conseguindo contribuir de alguma forma — adicionou Gabriel Machado, analista da Necton, a jornalistas, em complemento aos comentários da fonte.

Sobre a questão do petróleo, que acendeu o pavio da crise, em curso, a consultoria britânica Wood Mackenzie destaca o risco criado pela possibilidade de que, a partir do fim de março, não exista mais nenhum acordo da Opep e seus aliados. Este acerto tem garantido alguma estabilidade nos preços desde o fim de 2016.

“O coronavírus, com seu impacto nas economias e nos mercados, apresenta um risco desconhecido e sem precedentes. As previsões econômicas são cercadas por ainda mais incerteza do que o normal”, destacou, em relatório, o banco holandês ING.

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