Lula e o papa Francisco condenam fascismo que cresce no Brasil

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Publicado quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020 as 14:36, por: CdB

“Essa gente não suporta nem a ascensão social dos mais pobres, nem o desenvolvimento soberano do Brasil”, escreveu Lula, sobre o governo neofascista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

 

Por Redação, com agências internacionais – de Roma

 

O ex-presidente Lula foi às redes sociais nesta quinta-feira para demonstrar sua insatisfação com a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, que celebrou a alta do dólar em discurso permeado por preconceito de classe. Ele e o papa Francisco, reunidos nesta quinta-feira, condenaram o distanciamento entre os governantes e a parcela mais pobre da população brasileira, gesto típico dos regimes fascistas combatidos no mundo todo.

O papa Francisco e Lula se cumprimentam, no encontro em Roma, nesta quinta-feira
O papa Francisco e Lula se cumprimentam, no encontro em Roma, nesta quinta-feira

“É triste, e muita gente acha que exagero quando digo isso. Mas essa gente não suporta nem a ascensão social dos mais pobres, nem o desenvolvimento soberano do Brasil”, escreveu o líder petista, em uma rede social.

Solidariedade

Na véspera, em pronunciamento feito no Seminário de Abertura do Ano Legislativo da Revista Voto, em Brasília, Guedes disse que o dólar alto “é bom para todo mundo” e que em outros tempos, quando a economia brasileira estava melhor e o real mais valorizado, era uma “festa danada”, pois empregadas domésticas iam à Disneylândia.

Lula teve seu primeiro encontro com o Papa Francisco nesta quinta-feira. O contato entre os dois se iniciou ainda durante o cárcere político do ex-presidente. “Quero lhe manifestar minha proximidade espiritual e o encorajar pedindo para não desanimar e confiar em Deus”, disse o líder da igreja católica, em uma das cartas enviadas a Lula.

Na semana passada, o petista disse que vai agradecer o Papa pela solidariedade “em um momento difícil” e pela dedicação dele “ao povo oprimido”. Lula também afirmou que quer debater com a autoridade católica a experiência brasileira no combate à miséria.

Mapa da fome

Em entrevista ao jornal semanal Brasil de Fato, o teólogo brasileiro Leonardo Boff pontuou que um dos grandes temas do encontro seria a desigualdade social e afirmou que o papa Francisco “quer perguntar a Lula como é que ele conseguiu diminuir a desigualdade no Brasil”.

— É o encontro de dois grandes carismáticos, líderes reconhecidos mundialmente. Isso será bom para o papa, que colherá a experiência do Lula no processo de diminuição da desigualdade. Para o Lula, será importante encontrar-se com o papa, que tem as mesmas propostas de acusar e rejeitar esse sistema mundial que cria tantos pobres, agride a natureza e é anti-vida. O papa tem acusado essa desigualdade como consequência de uma forma de produzir e de explorar os trabalhadores e a própria natureza — disse o teólogo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a pobreza no país caiu de um patamar de 42 milhões de pessoas, em 2002, para 14 milhões em 2014, ano em que o Brasil deixou o Mapa da Fome das Nações Unidas.

Lula foi presidente de 2003 a 2010. A fome no país teve uma redução de 82% entre 2003 e 2014, momento em que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou que o país tinha menos de 5% da população em condição de insegurança alimentar.

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