Manifestações no Irã dividem Conselho de Segurança

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Publicado sábado, 6 de janeiro de 2018 as 10:45, por: CdB

Embaixador iraniano na ONU diz que país tem evidências de que manifestações foram orquestradas do exterior. EUA alertam que mundo está observando o Irã, enquanto Rússia diz que Teerã deve lidar com os próprios problemas

Por Redação, com DW – de Teerã:

O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência na sexta-feira, a pedido dos EUA, para discutir os protestos antigovernamentais ocorridos nos últimos dias no Irã, que resultaram em mais de 20 mortes.

Nikki Haley (centro): “Liberdade e dignidade humana não podem ser separadas de paz e segurança”

Traçando um paralelo com a Síria, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, argumentou que os protestos iranianos; primeiro contra e depois a favor das autoridades em Teerã, poderiam escalar para um conflito.

– Liberdade e dignidade humana não podem ser separadas de paz e segurança – disse Haley. “O regime iraniano está avisado: o mundo vai observar o que vocês fazem.”

O presidente norte-americano, Donald Trump, expressou na última quarta-feira “respeito pelo povo iraniano que tenta recuperar seu governo corrupto”, prometendo “grande apoio dos Estados Unidos no momento apropriado”.

“Abuso dos EUA”

O embaixador iraniano na ONU, Gholamali Khoshroo; disse ao Conselho de Segurança que seu governo tem “evidências concretas”; de que os protestos foram orquestrados a partir do exterior. Ele afirmou que os EUA abusaram de sua posição de membro permanente do conselho para impor uma reunião sobre o Irã.

– É lamentável que, apesar da resistência por parte de alguns de seus membros; este conselho tenha se permitido ser abusado pelo atual governo dos EUA ao realizar uma reunião sobre uma assunto que está fora do escopo de seu mandato – disse Khoshroo.

Rússia e França argumentaram de maneira similar ser cedo demais para discutir a questão na ONU. O embaixador francês nas Nações Unidas, François Delattre; afirmou que apesar de estar alarmado com os atos de violência nas ruas do Irã, eles não representam uma ameaça internacional à paz e à segurança e, portanto, não são realmente um assunto para o Conselho de Segurança.

– Precisamos (a comunidade internacional) ficar atentos a qualquer tentativa de explorar esta crise para fins pessoais – afirmou Delattre.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que os EUA estão “abusando da plataforma do Conselho de Segurança” ao convocar uma reunião de emergência sobre a situação no Irã.

– Nós obviamente lamentamos a perda de vidas como resultados de manifestações que não foram tão pacíficas, mas deixemos o Irã lidar com seus próprios problemas – disse.

As declarações de Nebenzia ecoaram as do vice-ministro do Exterior russo, Sergei Rybakov, que acusou os EUA de “descaradamente” interferir numa “situação de interesse puramente nacional para o Irã”.

Onda de protestos

A recente onda de protestos no Irã começou em 28 de dezembro na cidade de Mashhad e foi considerada a maior desde a revolta de 2009; quando uma série de manifestações tomou as ruas do país contra supostas fraudes eleitorais a favor do linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, logo se tornando um movimento de maior escala de contestação ao regime dos aiatolás.

Desta vez, os protestos tiveram inicialmente a inflação e o desemprego como alvo; mas logo ganharam tom político, com críticas ao presidente Hassan Rohani e ao líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

As autoridades iranianas, ao invés de reconhecer o descontentamento social com a situação econômica do país; optaram por decretar os protestos ilegais e responsabilizar uma conspiração estrangeira pelos distúrbios.

Além dos ao menos 22 mortos, mais de mil pessoas foram detidas. Após as manifestações antigoverno; manifestantes saíram às ruas de várias cidades para manifestar apoio às autoridades e criticar a suposta ingerência estrangeira no país.

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