Mensagens incriminam Benítez e Bolsonaro em escândalo no Paraguai

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Publicado quinta-feira, 15 de agosto de 2019 as 15:29, por: CdB

Protestos e manifestações populares de repúdio ao atual governo ocorrem em diversos pontos do país, desde então.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Assunção

 

Mensagens no aplicativo WhatsApp vazadas nesta quinta-feira para o jornal paraguaio Última Hora divulgou evidenciam que a Ande, a estatal paraguaia que negocia energia da Hidrelétrica Binacional de Itaipu, “não foi levada em conta” nas conversas entre Brasil e Paraguai. O tratado entre os dois países se mostrou lesivo ao Erário paraguaio e culminaram numa crise que pode derrubar o governo do presidente Mário Abdo Benítez.

Benitez e Bolsonaro se cumprimentam, em encontro no Palácio do Planalto
Benitez e Bolsonaro se cumprimentam, em encontro no Palácio do Planalto, antes da eclosão de um escândalo referente à venda de energia de Itaipu

Protestos e manifestações populares de repúdio ao atual governo ocorrem em diversos pontos do país, desde então. No início da noite passada, um grupo de paraguaios que protestava contra o presidente Benítez acusava o político de “traidor da pátria” e chegou a queimar uma bandeira do Brasil.

Os cerca de 2 mil camponeses que participaram da manifestação em Santa Rosa del Aguaray, que fica a cerca de 120 km da fronteira com o Brasil, exigiam a renúncia do presidente. A revolta se intensificou, nesta manhã, após a divulgação do conteúdo no WhatsApp. As mensagens contrariam a manifestação lançada em conjunto pelos Ministérios de Minas e Energia e Relações Exteriores brasileiros, além da Eletrobras, que exaltam o papel da Ande nos acordos envolvendo Itaipu.

Energia

O escândalo veio à tona quando o Congresso paraguaio levantou o sigilo do acordo de Itaipu, há cerca de três semanas, e descobriu que a Ande seria prejudicada no acordo, enquanto uma empresa brasileira supostamente ligada aos Bolsonaro, a Leros, seria beneficiada. O acionista majoritário da Leros é o empresário Alexandre Giornano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), diretamente ligado ao presidente.

O principal ponto crítico no acordo, que acabou anulado após a repercussão internacional, foi a exclusão do artigo que proibia a Ande de comercializar diretamente no mercado brasileiro a energia excedente de Itaipu. Após a eclosão do escândalo, o tratado foi rompido, unilateralmente, pela diplomacia paraguaia.

De acordo com o contrato entre os dois países, a Leros compraria a energia da Ande e faria a redistribuição no Brasil.

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