Metroviário de São Paulo: 45 minutos do segundo tempo

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Publicado quarta-feira, 29 de julho de 2020 as 10:27, por: CdB

Na longa negociação com o Metrô e os gestores estaduais (a data-base é em abril) os trabalhadores reivindicavam, pura e simplesmente, a manutenção das cláusulas vigentes (a ultratividade) e o respeito aos direitos, inclusive sindicais.

Por João Guilherme Vargas Netto – de São Paulo

Aos 45 minutos do segundo tempo os metroviários de São Paulo tiveram que suspender a greve que sua assembleia (virtual) havia convocado na terça-feira.

Aos 45 minutos do segundo tempo os metroviários de São Paulo tiveram que suspender a greve
Aos 45 minutos do segundo tempo os metroviários de São Paulo tiveram que suspender a greve

Na longa negociação com o Metrô e os gestores estaduais (a data-base é em abril) os trabalhadores reivindicavam, pura e simplesmente, a manutenção das cláusulas vigentes (a ultratividade) e o respeito aos direitos, inclusive sindicais, realizando várias assembleias sempre virtuais e procurando a mediação da Procuradoria do Trabalho e da Justiça.

Durante a noite de segunda-feira e já em curso a preparação da greve o secretário estadual de Transporte aceitou os termos da última proposta da Procuradoria que validava a principal reivindicação sindical (a ultratividade) e suspendia o absurdo praticado pela empresa de cortar 10% em todos os salários.

A direção sindical

Nestas condições a direção sindical e a categoria suspenderam a greve, mas como tudo se passou entre 10 horas da noite e a madrugada, houve dificuldades evidentes na execução do recuo.

Durante toda a negociação os metroviários se preocuparam sempre com a saúde da população afligida pela pandemia e exigiram da empresa o mesmo respeito à saúde deles e da população. No fim das contas houve apenas uma aglomeração mais forte no início da jornada, logo amenizada.

Para os metroviários e para a população o desfecho do movimento demonstra as enormes dificuldades de se travar a luta sindical nas condições anormais da doença (principalmente em categorias de transporte que trabalham diretamente com a população) e a confirmação da exigência de uma ação sindical persistente, unitária e efetiva como foi durante todo o processo a condução dada pelo sindicato à luta dos trabalhadores.

Em Curitiba segue forte a greve dos metalúrgicos da Renault contra as 747 demissões, com a empresa forçando a mão contra o sindicato depois que os trabalhadores conquistaram a opinião pública (passeatas de esposas, mães e filhos no sábado e domingo com a simpatia popular), reforçaram as alianças na Assembleia Legislativa, sensibilizaram o próprio governador para a justeza de suas lutas, convocaram a Procuradoria do Trabalho e a Justiça e receberam o apoio de todo movimento sindical brasileiro.

João Guilherme Vargas Netto, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.

 

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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