Militares brasileiros descartam intervenção militar na Venezuela, afirma Mourão

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Publicado sexta-feira, 25 de janeiro de 2019 as 14:23, por: CdB

O que se busca na Venezuela, segundo Mourão, é uma solução para a crise que evite decisões dessa natureza. Líder da oposição venezuelana e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó autodeclarou-se, na quarta-feira, presidente interino do país.

 

Por Redação – de Brasília

 

As Forças Armadas brasileiras não apoiam uma eventual intervenção militar na Venezuela para forçar a saída do presidente Nicolás Maduro da Presidência do país vizinho. A garantia é do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters, nesta sexta-feira.

O general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, fala pelas Forças Armadas brasileiras
O general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, fala pelas Forças Armadas brasileiras

O que se busca na Venezuela, segundo Mourão, é uma solução para a crise que evite decisões dessa natureza.

— Nossa visão é sem apoio a uma intervenção (militar) — afirmou.

Apoio dos EUA

Líder da oposição venezuelana e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó autodeclarou-se, na quarta-feira, presidente interino do país, sendo reconhecido como tal pelos Estados Unidos, Brasil e outros países. Rússia, México e alguns outros países, no entanto, declararam apoio ao governo Maduro.

Mourão reforçou a ideia de que o ideal seria que Maduro e seus aliados deixassem a Venezuela para o bem da população.

Com o aumento da tensão na Venezuela que gerou protestos e manifestações de rua que deixaram mortos e feridos, uma das preocupações do Brasil é com um possível aumento no êxodo de venezuelanos para o Brasil, disse o vice-presidente.

— Estamos atentos a isso — afirmou.

Vizinho

Desde o agravamento da crise econômica, social e institucional no país vizinho, muitos venezuelanos cruzaram a fronteira com o Brasil para fugir dos problemas no próprio país.

Após a autodeclaração de Guaidó como presidente interino, o governo brasileiro afirmou, em nota do Ministério das Relações Exteriores, que está comprometido em apoiar o “processo de transição” na Venezuela, e o presidente Jair Bolsonaro comentou a situação do país vizinho durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Em linha com o pensamento militar brasileiro, parcela do Congresso norte-americano também diverge da decisão do presidente Donald Trump de apoiar a aventura da oposição venezuelana. O governo dos EUA deve evitar se envolver em esforços para montar um golpe ou apoiar a mudança de regime na Venezuela, disse o senador democrata e ex-candidato a presidente dos EUA Bernie Sanders, em comunicado à imprensa.

Conflito

“Os Estados Unidos deveriam apoiar o estado de direito, eleições justas e a autodeterminação para o povo venezuelano”, disse Sanders nesta quinta-feira (25). “No entanto, devemos aprender as lições do passado e não estar no negócio de mudança de regime ou de apoio a golpes — como fizemos no Chile, Guatemala, Brasil e República Dominicana. Os Estados Unidos têm uma longa história de intervenções inapropriadas na América Latina, não devemos voltar a ter essa postura”

Sem respeito à autodeterminação da Venezuela, especialistas temem um ‘cenário Sírio’ na América Latina.

A administração Trump reconheceu o chefe da Assembléia Nacional, Juan Guiadó, como presidente interino da Venezuela e pediu a Nicolás Maduro que renunciasse. Maduro rompeu formalmente as relações com os Estados Unidos e deu ao pessoal diplomático dos EUA 72 horas para deixar a Venezuela.

O Observatório Venezuelano de Conflito Social disse que o número de mortos em protestos no país nos últimos dias subiu para 26.

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