Militares devem deixar Vila Kennedy em três semanas

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Publicado terça-feira, 20 de março de 2018 as 14:29, por: CdB

Mesmo antes da realização dos patrulhamentos diários, os militares vinham fazendo, desde 23 de fevereiro, ações rotineiras de remoção de barricadas e de cerco à comunidade

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

Os militares que fazem patrulhamento diário na Vila Kennedy, na zona oeste do Rio, há dez dias, deverão deixar a comunidade no prazo de duas a três semanas. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo porta-voz do Comando Militar do Leste (CML), coronel Carlos Cinelli.

Militares que fazem patrulhamento diário na Vila Kennedy devem deixar a favela dentro de duas a três semanas

Mesmo antes da realização dos patrulhamentos diários; os militares vinham fazendo, desde 23 de fevereiro, ações rotineiras de remoção de barricadas e de cerco à comunidade. “Vamos retirar os efetivos da Vila Kennedy. A Polícia Militar poderá, a partir daí, assumir o patrulhamento da comunidade”, disse o coronel.

A ocupação da Vila Kennedy serve para que o Gabinete da Intervenção Federal colha lições, disse Cinelli. E aprimore o processo ao longo da intervenção.

Vila Kennedy

Segundo ele, a ocupação da Vila Kennedy prevê três etapas. A primeira foi chamada de “estabilização inicial”. “Nós tivemos que remover obstáculos das vias; mandados de prisão foram cumpridos e a checagem de mandados de prisão em desfavor de alguns cidadãos também foi executada pela Polícia Civil. Foi um conjunto de atividades iniciais”, destacou.

A segunda etapa, disse Cinelli, envolveu patrulhamentos dinâmicos com efetivos menores de militares e em conjunto com a Polícia Militar. A última fase está ocorrendo com a saída dos militares e a entrega do patrulhamento aos PMs.

PM

– O comandante-geral da Polícia Militar já esteve reunido com o (interventor) general Braga Netto. O general disse que o modelo aplicado na Vila Kennedy não pode retroceder. E a população não volte a ser achacada e tiranizada com a intensidade que estava sendo – afirmou.

Segundo Cinelli, o Gabinete da Intervenção trabalha atualmente no planejamento das próximas operações envolvendo as Forças Armadas.

Intervenção

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que a equipe de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro deve fazer ajustes para adequar suas necessidades aos recursos disponibilizados pelo governo.

Segundo Villas Boas, a necessidade de R$ 3,1 bilhões chegou a ser mencionada no dia anterior, por parlamentares. Eles se reuniram com o interventor; general Braga Netto, e disseram que será necessário um volume semelhante de recursos na segurança pública.

Villas Bôas

Segundo Villas Bôas; será apresentada uma demanda de cerca de R$ 1,5 bilhão, que cobrirão tanto os passivos já existentes quanto as ações futuras.

– O governo anunciou a possibilidade de disponibilizar R$ 800 milhões. Isso vai exigir que a equipe de intervenção faça os ajustes necessários para otimizar esse recurso disponível e atingir o máximo de efeitos e objetivos – disse ele, que afirmou desconhecer detalhes dos valores. “Há um componente grande de dívidas e passivos e há um componente do que deve ser para melhorar as estruturas.”

BNDES

O general foi homenageado nesta terça-feira no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, e pediu compreensão com trabalho realizado pela intervenção. “As causas são extremamente profundas. Pedimos a compreensão dos companheiros que lá estão às voltas com esse tema. Quanto mais se debruçam sobre ele, mais verificam sua complexidade. Eles têm procurado manter uma postura de não gerar expectativa, não tomar atitudes espetaculosas e de não inaugurar promessas”, disse Villas Bôas.

Segundo o general, os problemas que prejudicam a segurança pública são resultado de décadas e décadas de omissões e de necessidades básicas não atendidas. “Os resultados virão com o tempo, e as soluções serão realmente de muito longo prazo.”

Villas Bôas disse que está otimista, porém preocupado com os resultados que a intervenção precisará atingir. “Estou otimista e preocupado. Confesso que muito preocupado pela incerteza de que vamos realmente atingir todos os objetivos. Nossa determinação, ao sair, é deixar como legado uma mudança nas estruturas. De forma que elas tenham condições para depois por si”, disse o comandante do Exército.

Para ele, o resultado das ações vai impactar a imagem das Forças Armadas. “A imagem perante a sociedade será sempre consequência do que nós lograrmos atingir.”

Morte de Marielle

Ao discursar, o general comentou o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, no último dia 14, no Centro do Rio, e chamou a atenção para a polarização em torno do homicídio, que considerou injustiticável e terrível.”Vejam o injustificavel assassinato dessa moça.

O general recomenda para que “vejam e verifiquem o potencial que ele adquiriu no sentido de desagregação, de potencializar os ideais de minoria. Segundo o (ex) ministro Aldo Rebelo, o caminho da separatividade da nossa sociedade”, afirmou  o general.

– Rapídamente se estabeleceu uma rede de solidariedade internacional, e nos coloca no centro de um problema que extrapola a questão ‘segurança pública’. Vem toda a parte de desigualdade racial, direitos das mulheres, que são coisas que realmente são demandadas pela nossa sociedade – acrescentou.

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