Ministro alemão nega existência de recessão real

Arquivado em: Negócios, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 8 de novembro de 2019 as 11:02, por: CdB

Questionado sobre as solicitações feitas por alguns economistas e políticos para que a Alemanha gaste para revitalizar uma economia em declínio, Scholz disse que não há motivos para gastos extras com estímulos.

Por Redação, com Reuters – de Berlim

A Alemanha não está perto de uma recessão real, mas está passando por um período de crescimento mais lento, disse o ministro das Finanças, Olaf Scholz, em entrevista à Euronews, acrescentando que a resolução das tensões comerciais, “criadas pelo homem”, ajudaria a impulsionar a economia.

Ministro alemão vê uma política financeira muito expansionista e o maior investimento público de todos os tempos
Ministro alemão vê uma política financeira muito expansionista e o maior investimento público de todos os tempos

Questionado sobre as solicitações feitas por alguns economistas e políticos para que a Alemanha gaste para revitalizar uma economia em declínio, Scholz disse que, com empregos em níveis recordes e alguns setores enfrentando restrições de capacidade, não há motivos para gastos extras com estímulos.

– Há uma máxima histórica de empregos e há muitos ramos que procuram mão de obra qualificada – disse o ministro, em comentários publicados nesta sexta-feira.

– Temos uma política financeira muito expansionista e o maior investimento público de todos os tempos – completou.

No mês passado, os principais institutos econômicos da Alemanha reduziram as previsões de crescimento da maior economia da Europa para este ano e o próximo, culpando a demanda global mais fraca por produtos manufaturados e o aumento da incerteza empresarial relacionada a disputas comerciais.

As revisões, que alimentam as previsões do próprio governo, refletem crescentes temores de que uma desaceleração na Alemanha, provocada pela recessão no setor manufatureiro, dependente da exportação, possa prejudicar toda a economia da zona do euro.

Os institutos também pediram ao governo de coalizão da chanceler Angela Merkel que abandone sua política orçamentária de não adquirir novas dívidas caso as perspectivas de crescimento se deteriorem.

A poderosa associação industrial BDI aprovou os esforços dos institutos e solicitou um programa de investimentos públicos substancial em educação, proteção climática e infraestrutura.

Contudo, o ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, já havia negado a existência de uma crise econômica e, portanto, não existe a necessidade de renunciar à política orçamentária de evitar novas dívidas. Em vez disso, o governo deve ajudar as empresas com redução de impostos e contribuições para o sistema de seguridade social.

Os institutos disseram esperar que a economia alemã cresça 0,5% este ano e 1,1% em 2020. As revisões ficaram abaixo das estimativas de abril, de 0,8% e 1,8%, respectivamente.

Para 2021, os institutos prevêem uma recuperação leve, com expansão econômica de 1,4%. O governo publicará suas próprias previsões para o crescimento em 17 de outubro. Em abril, estimou um crescimento de 0,5% para 2019 e 1,5% para 2020.

Indústria

Em outubro, dados mostraram que as encomendas à indústria da Alemanha caíram mais do que o esperado em agosto devido à demanda doméstica mais fraca, ampliando os sinais de que as perdas na indústria estão levando a maior economia da Europa à recessão.

O contratos para produtos fabricados na Alemanha caíram 0,6% em agosto sobre o mês anterior, contra expectativa de queda de 0,3%. A demanda por bens de capital recuou 1,6%, informou o Ministério da Economia. A economia encolheu 0,1% no segundo trimestre, e dados recentes indicam uma contínua fraqueza na indústria no terceiro trimestre.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *