Ministro de Bolsonaro é indiciado por esquema de ‘candidaturas-laranja’

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Publicado sexta-feira, 4 de outubro de 2019 as 11:27, por: CdB

Marcelo Álvaro Antônio foi indiciado nesta semana por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

Por Redação, com Sputnik e Agências de Notícias – de Brasília

A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PSL), por suspeita de envolvimento no esquema de “candidaturas-laranja” do PSL em Minas Gerais. De acordo com a investigação da Polícia Federal, o ministro seria o comandante do esquema de desvio de recursos públicos por meio de candidaturas femininas de fachada nas últimas eleições.

O ministro foi indiciado por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa
O ministro foi indiciado por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa

O ministro do Turismo foi indiciado nesta semana por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa —com pena de cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente. Outros dez também foram indiciados pelo esquema nesta sexta-feira, mas não tiveram seus nomes revelados pela PF.

A suspeita é de que quatro candidatas pelo PSL no ano passado teriam sido usadas como laranja para burlar a exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que os partidos destinem 30% dos recursos do fundo de campanha para candidaturas femininas.

Desde que a investigação eclodiu em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem afirmado que iria esperar as conclusões da Polícia Federal para ter uma definição sobre o futuro do ministro. Marcelo Álvaro Antônio, por sua vez, tem negado as acusações.

O ministro ainda não comentou a decisão, após ser procurado por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Turismo. Na quinta-feira, Marcelo Álvaro Antônio teve uma reunião com o presidente no Palácio do Planalto, segundo a agenda oficial de Bolsonaro.

Ameaça de morte ex-candidata do PSL

Em fevereiro, após denunciar o esquema criminoso de uso do dinheiro público na campanha eleitoral de Marcelo Álvaro Antônio, a professora aposentada Cleuzenir Barbosa, que concorreu a uma vaga como deputada estadual pelo PSL-MG, fugiu do país e teme por sua vida. Ela disse à colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo, ter sido ameaçada por dois assessores do ministro. Barbosa pediu asilo político para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal.

— Não viria pra cá (Portugal) assim rapidamente se não fosse para poupar a nossa vida — disse. Ela afirmou, ainda, ter sido aposentada por invalidez por ter artrite reumatoide e depressão profunda. Segundo acrescentou, o irmão teria trabalhado em sua campanha e, por isso, recebeu pagamentos.

Barbosa relatou também, ao ao Ministério Público Federal, em dezembro, ter sido coagida por dois assessores do atual ministro a devolver R$ 50 mil dos R$ 60 mil de verba pública de campanha que havia recebido do PSL.

Na época, o ministro disse, via assessoria, que jamais fez ou autorizou alguém a fazer pressão contra candidatos.

“Até o momento, todos os fatos encontrados desabonam a conduta e colocam em xeque a credibilidade da própria candidata, que repassou dinheiro público para familiares e é aposentada por invalidez com base num laudo psiquiátrico que aponta ‘patologia total e permanente’”, diz o ministro, em nota.

De acordo com o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, a denúncia sobre o patrocínio de candidatura forjadas em Minas Gerais por parte do atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), será apurada “se surgir a necessidade”.

— Particularmente não sei se esta matéria é totalmente consistente. Se surgir a necessidade de apuração, será apurado. Não cabe ao ministro da Justiça fazer esse papel de defesa de situações apontadas em relação a membros do governo. Cabe ao ministro da Justiça assegurar que, havendo informações consistentes, que isso seja devidamente apurado pelos órgãos de investigação competentes — afirmou.

Em junho, a Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira, em Brasília, o assessor especial do Ministério do Turismo, Mateus Von Rondon Martins. Sócio-fundador de uma empresa de serviços de Internet e marketing criada em 2013 e cujas atividades encerrou em janeiro deste ano, pouco antes de se tornar assessor direto do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, Martins é suspeito de integrar um suposto esquema que fraudava candidaturas eleitorais em Minas Gerais.

Martins foi detido na casa em que mora em Brasília. Outros dois ex-assessores do ministro do Turismo também foram presos em caráter temporário nesta mesma operação: Robertinho Soares e Haissander Souza de Paula, que foram assessores de gabinete do ministro Marcelo Álvaro Antônio quando este foi deputado federal, entre 2015 e 2019. Atualmente, Soares é secretário do PSL em Minas Gerais.

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