Ministro condenado e assessor arredio negam promessas de Bolsonaro aos militares

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Publicado quinta-feira, 20 de dezembro de 2018 as 15:52, por: CdB

Na noite passada, o judiciário paulista condenou Ricardo Salles (Novo), ex-secretário estadual de São Paulo e futuro ministro do Meio Ambiente por improbidade administrativa.

 

Por Redação – de Brasília e Rio de Janeiro

 

Na contramão das promessas de campanha, o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ainda não começou e já coleciona políticos emaranhados em casos de corrupção com inquéritos ou condenações no Judiciário. A sequência de fatos tem causado o incômodo de oficiais graduados das três Forças Armadas, principais apoiadores da candidatura de extrema direita. O primeiro a cobrar explicações tem sido o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB).

Mourão foi impedido de falar em nome de Bolsonaro, após declarações polêmicas
Mourão foi impedido de falar em nome de Bolsonaro, após declarações polêmicas

Na noite passada, o judiciário paulista condenou Ricardo Salles (Novo), ex-secretário estadual de São Paulo e futuro ministro do Meio Ambiente por improbidade administrativa.

A decisão é da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que determinou a suspensão dos direitos políticos de Salles por três anos. Salles, que pode recorrer da decisão, é acusado pelo Ministério Público de fraudar processo do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, em 2016.

“Além da violação de normas legais e regulamentares com a plena consciência de que tolhia a participação de outros setores que compunham o sistema ambiental e de que atendia a interesses econômicos de um grupo restrito em detrimento da defesa do meio ambiente escopo de sua pasta no Poder Executivo, o então secretário violou os princípios constitucionais administrativos da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade”, diz o texto da decisão.

Novo depoimento

O futuro ministro também está condenado ao pagamento de multa civil em valor equivalente a dez vezes a remuneração mensal recebida no cargo de secretário. Os valores serão apurados no processo, segundo decisão judicial.

Ainda na lista dos envolvidos em situações não inteiramente explicadas à Justiça consta o militar da reserva Fabrício Queiroz, ex-motorista do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro. Ele não compareceu ao depoimento no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MP-RJ), onde era aguardado na tarde desta quarta-feira, para esclarecer sobre movimentações suspeitas em sua conta bancária.

O movimento foi identificado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da ordem de cerca de R$ 1,2 milhão, no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. O novo depoimento do ex-assessor do filho mais velho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, foi remarcado pela Procuradoria-Geral de Justiça para esta sexta-feira, também a partir das 14h.

Bom salário

Os advogados de Fabrício Queiroz alegaram que “não tiveram tempo hábil para analisar os autos da investigação” para justificar a ausência do seu cliente. Eles também alegaram que o suspeito sofreu “inesperada crise de saúde”, segundo informou o MP-RJ.

O nome de Queiroz aparece no relatório do Coaf que integrou a investigação da Operação Furna da Onça, um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. Segundo as informações do documento, nos 13 meses em que movimentou R$ 1,2 milhão em uma única conta bancária ele recebia salário de R$ 23 mil por mês.

Ainda segundo o relatório, ele repassou R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama. Sobre este pagamento, Jair Bolsonaro afirmou que era referente à quitação de um empréstimo de R$ 40 mil feito por ele a Queiroz. Flávio Bolsonaro – que não é investigado – afirma que não fez “nada de errado” e que espera “que o caso seja esclarecido”.

Sumiço

A ausência do ex-motorista ao depoimento aumenta as suspeitas sobre o esquema por traz das movimentações financeiras. Segundo levantamento feito pela GloboNews em cartórios da cidade, Queiroz tem um patrimônio modesto para quem movimentou valores tão altos.

Além disso, o relatório do Coaf indica que funcionários nomeados para o gabinete de Flavio não cumpriam jornada regular na Assembleia Legislativa do Rio, quando o senador eleito foi deputado estadual, e que alguns deles chegaram a repassar até 99% dos seus salários a Queiroz.

Jair Bolsonaro, por sua vez, também se afastou ao máximo dos jornalistas.

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