Ministro israelense descarta investigação sobre mortes em Gaza

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Publicado domingo, 1 de abril de 2018 as 11:58, por: CdB

Titular da pasta da Defesa, Avigdor Liebermann disse que ação que resultou na morte de 15 palestinos foi “necessária” e que soldados merecem “uma medalha”

Por Redação, com DW – de Gaza:

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Liebermann, rejeitou neste domingo pedidos de investigação sobre a morte de pelo menos 15 palestinos por militares israelenses durante uma série de manifestações que ocorreram na fronteira entre Gaza e Israel. Segundo o ministro, os soldados agiram corretamente.

Funeral simbólico em memória dos mortos no protesto da sexta-feira em Gaza.

– Soldados israelenses fizeram o que era necessário. Acho que todos os nossos soldados merecem uma medalha – disse ele à rádio do Exército de Israel. “Quanto a uma comissão de inquérito; não haverá uma”, acrescentou ele.

Dia de luto

Os palestinos declararam um dia nacional de luto no sábado; depois; que os protestos do dia anterior resultaram em confrontos; e marcaram o dia mais sangrento na Faixa de Gaza desde a guerra de 2014.

Mais de 1,4 mil pessoas também ficaram feridas durante as marchas na fronteira entre Israel e o território palestino.

A série de manifestações foi convocada pelo grupo terrorista palestino Hamas e marca o início de uma jornada de protestos prevista; para durar seis semanas, batizada como “A Grande Marcha do Retorno”. O objetivo é demonstrar repúdio contra a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

A data escolhida para o início dos protestos também foi simbólica; já que marcou o chamado “Dia da Terra”, que celebra todo 30 de março a memória de seis árabes israelenses; que foram mortos em 1976 durante um protesto contra o confisco de terras.

A previsão  é que os protestos se estendam até 15 de maio, outra data simbólica, chamada pelos palestinos de Nakba; ou “catástrofe”, que marca a lembrança do deslocamento de centenas de milhares de palestinos do atual território israelense após a criação do Estado judeu em 1948.

Consequências

Os protestos no sábado registraram menos incidentes do que no dia anterior. Houve apenas episódios de pequenos grupos de palestinos atirando pedras; em vários locais ao longo da cerca na fronteira. Vinte e cinco pessoas ficaram feridas devido a disparos efetuados pelos israelenses; de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

As Forças Armadas de Israel disseram que pelo menos oito dos 15 mortos eram membros do Hamas; e que outros dois eram membros de outros grupos em Gaza. O Hamas admitiu que cinco dos mortos faziam parte das suas fileiras.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu; elogiou a atuação dos soldados, que, segundo ele, permitiu que o resto do país celebrasse a festa da Páscoa com segurança.

Bloqueio na ONU

O chefe da ONU, António Guterres, e a chefe da diplomacia da União Europeia; Federica Mogherini, pediram uma “investigação independente e transparente” para apurar o uso de munição real por parte de Israel.

Mas uma moção nesse sentido apresentada pelo Kuwait no Conselho de Segurança da ONU foi rejeitada pelos Estados Unidos.

 

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