Moro, no Brasil e no exterior, encarna herói que caiu em desgraça

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Publicado quarta-feira, 3 de julho de 2019 as 19:02, por: CdB

Na Câmara, após chamar Moro de “juiz ladrão”, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi às redes sociais nesta quarta-feira para reafirmar o que disse.

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Chamado de “juiz ladrão”, pouco antes de um tumulto encerrar as mais de oito horas de depoimento, noite passada, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, caiu do pedestal de um ídolo no combate à corrupção à condição de pária, no cenário internacional.

Moro
Sérgio Moro está em uma ‘saia justa’, após vazamentos sobre sua atuação na liderança da Lava Jato

Na CCJ do Senado, onde Moro passou também mais de nove horas, na semana passada, recitando as mesmas declarações que levou à Câmara, o jornalista Gleen Greenwald, editor da agência norte-americana de notícias Intercept Brasil, prestará depoimento sobre o escândalo.

O requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi aprovado por maioria. O objetivo é a tentativa de elucidar a troca de mensagens entre o ex-juiz e integrantes da Operação Lava Jato. O vazamento revelou a manipulação dos processos relacionados à Operação.

Ataques

O requerimento convida Greenwald a “prestar informações sobre fatos revelados que vem causando repercussão nacional e internacional, sobre troca de mensagens, por meio do aplicativo Telegram, entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador da república Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato“.

“O material apresentado traz enorme preocupação no que diz respeito a uma possível condução e interferência pessoal de juízes e procuradores, que vão na contramão do princípio da imparcialidade, que sempre deve balizar a conduta dos membros do Ministério Público e do Poder Judiciário”, justifica o parlamentar no requerimento.

O texto destaca ainda que o jornalista Glenn Greenwald vem “sofrendo publicamente ataques de diversos setores do governo” o que torna “a presença do autor dessas impactantes reportagens a esta Comissão de Constituição e Justiça fundamental para o esclarecimento de um assunto que vem trazendo enorme repercussão para o país”.

‘Juiz ladrão’

Na Câmara, após chamar Moro de “juiz ladrão”, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi às redes sociais nesta quarta-feira para reafirmar o que disse sobre o ministro. Glauber, em mensagens nas redes sociais, garantiu que não retira “uma palavra sequer” do que disse. Ele desafiou os deputados do PSL a levarem-no ao Conselho de Ética da casa.

“Se fizerem isso, o que eu duvido, vou pedir a produção de provas para provar que Moro é um juiz ladrão”, disse ele, no Twitter.

Assista ao vídeo gravado por Braga:

Repercussão

Interna e externamente, o ex-juiz Sergio Moro sofre um intenso desgaste em sua imagem. Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva baseado apenas em uma delação premiada que se apresenta, agora, como uma fraude. Ele também foi acusado de mandar investigar o jornalista Glenn Greenwald, que o investiga.

Para jornalistas, no Brasil, Moro perdeu totalmente a credibilidade. Na imprensa internacional não é muito diferente. O francês Le Monde descreveu “o agora ministro do presidente de extrema direita” como “herói caído da anticorrupção”.

O diário britânico The Independent, também pegou pesado: “E foi Moro, uma figura partidária de direita com ilusões messiânicas, disposta a acabar com o Estado de Direito em busca de seus objetivos, que desempenhou o papel principal de colocá-lo lá”.

Abuso

O site norte-americano de notícias HuffPost estampa que Moro agora “encara seu próprio escândalo” e afirma que ele peca “por excesso de ambição e de vaidade”. O ponto mais grave, agora, é a revelação de que a Polícia Federal passou a investigar o jornalista Glenn Greenwald.

A organização Freedom of the Press Foundation também se pronunciou, nesta quarta-feira, dizendo que o cerco do ministro “não é apenas um ataque ultrajante à liberdade de imprensa, mas um grosseiro abuso de poder”.

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