MP e polícia fazem ação contra suspeitos de envolvimento com milícia no Rio

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2018 as 11:06, por: CdB

De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de cobrar taxa de segurança a residências e comerciantes, de explorar o serviço de distribuição de sinal clandestino de TV a cabo

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

Policiais civis e agentes do Ministério Público (MP) estadual cumpriram nesta quarta-feira oito mandados de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento com uma milícia que atua na Baixada Fluminense. Segundo o Ministério Público, quatro suspeitos são policiais militares da região e um, ex-policial militar.

MP e polícia do Rio fazem ação contra suspeitos de envolvimento com milícia

Os oito mandados de prisão e 10 de busca e apreensão foram expedidos pela 7ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu/Mesquita.

De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de cobrar taxa de segurança a residências e comerciantes; de explorar o serviço de distribuição de sinal clandestino de TV a cabo; de vender água e gás e de explorar o transporte alternativo no município de Mesquita.

Segundo o MP, o grupo impõe seu controle circulando com fuzis e pistolas pelas ruas da cidade. Policiais civis da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense também aproveitam a ação; para cumprir mandados de prisão expedidos pela 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu por um homicídio qualificado; e uma tentativa de homicídio; que teriam sido cometidos por integrantes desse mesmo grupo.

CPI das UPPs vai investigar falhas e a viabilidade do programa

A continuidade do Projeto de Polícia de Proximidade; que tem como base as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs); começou a ser debatida na terça-feira; durante a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das UPPs; na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Os deputados vão investigar se existe viabilidade de preservação do projeto; na forma como foi originalmente desenhado; se é necessária a desativação de algumas UPPs; que não estão dando o resultado esperado; de aproximação e pacificação da área; ou se é preciso uma readequação do processo; com possíveis correções de rumo e novos investimentos.

Projeto

O presidente da CPI, deputado Bruno Dauare (PR), que propôs a criação da comissão; disse que um dos erros do projeto foi não ter se expandido para o interior do estado, ficando restrito à capital.

– Nós esperamos, através de uma investigação profunda, fazer um raio-X das UPPs durante esses anos, traçando o custo de implantação desse processo para o estado e entender por que chegamos a 2018 em um estado de intervenção, em uma crise de segurança sem precedentes na segurança pública do Rio. Não houve implantação de UPPs para o interior, mas sim a migração de criminosos para cidades menores e a saída de policiais do interior para a capital – disse Dauare.

Polícia

Para o deputado Zaqueu Teixeira (PDT), integrante da CPI e ex-chefe de Polícia durante o governo de Benedita da Silva; é necessário investigar o que houve com as UPPs, que foi considerado um projeto de sucesso e hoje não cumpre o seu papel.

– Vamos apurar se os recursos foram bem empregados ou não, para saber como este projeto pretende se manter no estado do Rio de Janeiro. Existem regiões onde verificamos que as UPPs já não têm a mesma consistência de uma política de retomada de território e os policiais estão fragilizados.

– Eu sempre fui crítico, porque o projeto das UPPs era uma política de Saci Pererê, só estava com uma perna, só colocava Polícia Militar (PM), não tinha uma investigação feita previamente para ir à raiz do problema. No Complexo do Alemão só houve policiamento ostensivo e a polícia judiciária não foi reforçada para dar conta daqueles que cometem crime – disse Zaqueu.

CPI

Nas próximas sessões da CPI, serão convocados ex-comandantes da PM; para relatarem suas experiências durante suas gestões e contribuírem com possíveis soluções para garantir o programa. Atualmente, existem 38 UPPs no Rio, mas praticamente em todas elas há problemas; com o descontrole da região por parte dos policiais, refletido em constantes tiroteios com criminosos; que acabam ferindo ou matando inclusive moradores.

O interventor na segurança do Rio, general Braga Netto, já emitiu sinais de que poderá reavaliar o número de UPPs, mas não declarou se irá extinguir alguma unidade. A primeira UPP foi implantada em 2008, no Morro Santa Marta, em Botafogo, e durante muitos anos garantiu tranquilidade para o bairro. Hoje, porém, já são frequentes os tiroteios na região.

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