Negociações entre PT e Ciro vão em frente, pela libertação de Lula

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Publicado quarta-feira, 2 de maio de 2018 as 18:01, por: CdB

Chances de vitória do candidato de centro Ciro Gomes têm alimentado diálogo entre petistas e o PDT. O acordo, no entanto, é alvo do repúdio de parcela consistente do PT.

 

Por Redação – de São Paulo

 

As negociações de bastidores entre uma parcela do Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT); do pré-candidato à Presidência da República, ex-governador cearense Ciro Gomes; foram alvos de uma análise contundente do historiador Valter Pomar. Ele é líder da Articulação de Esquerda (AE), uma das mais influentes tendências do partido.

Ciro Gomes vai tocando a campanha ao Palácio do Planalto, enquanto Lula decide se concorrerá ou não em 2018, se houver eleição
Ciro Gomes vai tocando a campanha ao Palácio do Planalto

Pomar e uma extensa parcela da legenda são contrários às negociações com o pedetista, um dos principais representantes do centro nas eleições previstas para outubro deste ano. Ciro Gomes tem procurado manter uma certa distância do PT, embora siga em conversas com os líderes dos campos que detêm a condução do partido.

Entre estes interlocutores, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner pontuou; em artigo publicado na edição desta quarta-feira de um dos diários conservadores paulistanos, que o diálogo com o pré-candidato do PDT tende a seguir adiante.

Interditado

Caso falhem todas as tentativas de libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil junto a fonte na direção nacional do PDT, a vitória de Gomes serviria como uma espécie de salvo-conduto para o líder petista.

— A legislação brasileira permite que o chefe do Poder Executivo, no caso de Ciro Gomes, caso seja eleito, conceda o perdão presidencial, denominado graça, a qualquer condenado no país. Lula, então, poderia ser libertado, de imediato. Esse seria o ponto principal do acordo político para que se tentasse a transferência de votos de Lula para Ciro — disse o dirigente partidário, que prefere se manter no anonimato.

Pomar cita o artigo do repórter Ricardo Galhardo, no qual comenta as opiniões do ex-governador Jaques Wagner. Segundo o artigo, Jaques Wagner afirmara que o PT poderá indicar o vice de Ciro Gomes. No caso, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

“Até agora, que saiba, Wagner não retificou as opiniões ali publicadas. Como virou costume entre os defensores do chamado B, Wagner nega peremptoriamente que defenda plano ‘B, C, X, Y ou Z’. Mas para Wagner sustentar a candidatura do Lula vale apenas até que ‘até que alguém diga que ele está interditado definitivamente”, afirma o historiador.

Esquerda

Wagner, portanto, passaria agora a defender Lula somente até um certo ponto.

— Ninguém traça uma estratégia já pensando em plano B — disse Wagner ao jornalista.

“O termo mágico na frase acima é ‘já’. Ou seja: não devemos começar falando disso, mas é nisso que vamos terminar se ‘alguém’ disser que Lula está ‘interditado definitivamente’. Considero um avanço que Wagner e outros setores do PT estejam levando em consideração a possibilidade de a candidatura Lula ser ‘interditada definitivamente”, acrescenta Pomar.

Afinal, continua, “não faz muito tempo, havia um setor do Partido e da esquerda que não acreditava que pudessem ocorrer a prisão, a condenação e o golpe. Estas e outras ilusões no inimigo contribuíram para nossas sucessivas derrotas, desde janeiro de 2015”.

Ingênuo

Também considero um avanço que se debata publicamente o tema, entre outros motivos porque isto permite que o conjunto da esquerda possa participar da discussão e influir nas decisões que venham a ser tomadas. Decisões entre quatro paredes, tomadas por meia dúzia, não são boas nunca; e neste momento, resultariam em total desastre”, pontua.

Feitas as ressalvas, adiantou Pomar, “a proposta de Wagner — se materializada, o que considero impossível — seria pior que um equívoco tático: provocaria um retrocesso estratégico de décadas. Apoiar Ciro Gomes presidente seria voltar aos tempos em que a esquerda brasileira era apoiadora subalterna de líderes do ‘centro’. A existência do PT contribuiu para superar aquela situação. O que Wagner defende nos conduziria de volta àquele passado — critica.

O argumento de Wagner em favor desta hipótese, constata, “chega a ser ingênuo”:

— Sempre defendi que, após 16 anos, estava na hora de ceder a precedência. Sempre achei isso. Não conheço na democracia ninguém que fica 30 anos. Em geral fica 12, 16, 20 anos. Defendi isso quando o Eduardo Campos ainda era vivo. Estou à vontade neste território — disse Wagner ao repórter.

S de suicídio

“A ingenuidade, digamos assim; consiste em não perceber que não estamos mais ‘na democracia’. Entendendo por isto o ambiente político que prevaleceu entre 1989 e 2014. O golpe de 2016 e a prisão de Lula criaram uma situação nova, em que raciocínios do tipo ‘precedência’ não fazem o menor sentido”, adverte Pomar.

De acordo com o petista histórico; “renunciar voluntariamente à condição hegemônica do PT; escondendo nosso partido e suas lideranças atrás de um biombo, não contribuiria para derrotar o golpismo. Nem ajudaria a esquerda a reencontrar nosso caminho para o poder; para as reformas democrático-populares e para o socialismo”, adiciona.

“Por isto, a possibilidade sugerida por Wagner é na verdade pior que um plano B. Está mais para ‘plano S’. S de suicídio”, conclui.

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