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A Academia, que escolhe o ganhador do prestigioso prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,4 milhão de dólares), elogiou o escritor de 68 anos por seus romances cheios de aventura, ensaios e obras de literatura infantil.
- Suas obras têm um caráter cosmopolita. Francês, sim, porém mais do que isso, um viajante, cidadão do mundo, nômade - disse Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca, em entrevista coletiva convocada para anunciar o laureado.
Nascido em Nice, Le Clézio mudou-se para a Nigéria com sua família aos 8 anos de idade. Escreveu seus primeiros trabalhos - Un Long Voyage e Oradi Noir - durante a viagem à Nigéria, que levou um mês.
De acordo com o site da Academia Sueca, ele estudou inglês numa universidade britânica e lecionou em instituições em Bangkok, Cidade do México, Boston, Austin e Albuquerque, entre outras.
Le Clézio passou longos períodos no México e América Central, e em 1975 se casou com uma marroquina. Desde os anos 1990 ele e sua mulher dividem seu tempo entre Albuquerque, no Novo México, Nice e a ilha de Maurício.
Seu primeiro romance foi Le proces-verbal (O Interrogatório), escrito quando tinha 23 anos. O livro recebeu o prêmio Renaudot na França.
Visto nos anos 1960 como escritor experimental, Le Clézio se interessou por muitos temas, incluindo o meio ambiente e a infância.
O livro que lhe deu fama foi Desert, de 1980, que, segundo a Academia Sueca, "contém magníficas imagens de uma cultura perdida no deserto do norte da África, contrastado com o retrato da Europa visto através do olhar de imigrantes indesejados".
O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, saudou o prêmio dado a Le Clézio.
- Esta honra magnífica coroa uma das criações literárias mais notáveis de nossos tempos e um dos estilos de escrita mais exigentes e inventivos - disse Kouchner em comunicado à imprensa.
- De Albuquerque a Seul, de Nova York ao Panamá, de Londres a Lagos, Jean-Marie G. Le Clézio vive, viaja, conhece e ama muitos países, povos, civilizações e culturas - acrescentou.
A fase que antecedeu a entrega do Nobel de Literatura deste ano foi dominada por controvérsia, depois de Engdahl ter dito que os Estados Unidos são demasiado insulares e não participam do "grande diálogo" da literatura mundial.
Feitos a uma agência de notícias, seus comentários desencadearam uma tempestade de reações iradas de escritores e críticos norte-americanos.
A última vez em que o prêmio Nobel de Literatura foi dado a um americano foi em 1993, quando a premiada foi a romancista Toni Morrison.
Todos os prêmios Nobel, exceto um, foram criados no testamento do magnata Alfred Nobel e são entregues desde 1901. O Nobel de Economia foi criado pelo Banco Central sueco em 1968.
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