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OpiniãoA II Cúpula América do Sul-África (ASA), que começa neste sábado em Isla Margarita, na Venezuela, é mais um teste para a integração entre os países dos dois continentes e um desafio para a ambição brasileira de se firmar como líder do chamado eixo “sul-sul”.
A intenção brasileira de se fixar como liderança, no entanto, pode ser ofuscada durante o encontro pelo discurso “anti-imperialista” do anfitrião da cúpula, o presidente venezuelano Hugo Chávez, que pode aproveitar a presença de aliados seus, como o líder líbio Muamar Khadafi e os presidentes dos países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), para marcar o tom do encontro.
Segundo uma fonte diplomática, no entanto, o governo brasileiro tentará impedir que a cúpula se converta em uma espécie de encontro anti-imperialista.
- Nosso discurso é propositivo. Não somos anti nada ou alguém. Não adotamos esse discurso de polarização Norte-Sul -, disse a fonte, que afirmou ainda que qualquer menção do tipo no documento final do encontro será vetada pelo Brasil.
Para o historiador Beluce Bellucci, diretor do Centro de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, no entanto, esta abordagem anti-imperialista deve ser inevitável durante a cúpula.
- Ninguém pode negar o duro processo de dominação a que o continente africano foi submetido -, afirma.
Segundo ele, esta questão impõe à cúpula o desafio de encontrar novas relações comerciais e políticas que sejam capazes de superar o histórico de colonização, a seu ver, ainda presente nas relações com a África.
Para Bellucci, a cúpula pode marca um “passo adiante” na projeção do Brasil como liderança para com a África.
- O Brasil tem condições de estabelecer uma cooperação efetiva com o continente africano, estreitando laços com líderes como a África do Sul -, afirma.
A ótica do governo brasileiro é de que, por meio de projetos de cooperação e comércio, o Brasil possa desempenhar um papel mais influente na redução das assimetrias econômicas e institucionais.
Dentro dessa lógica, o intercâmbio comercial Brasil-África saltou de US$5 bilhões, registrados em 2002, para US$ 26 bilhões em 2008.
A Venezuela também pretende fazer com que ações concretas de integração surjam a partir do encontro.
O presidente Hugo Chávez já afirmou que pretende que a cúpula gere um cronograma de integração entre os países dos dois continentes que cubra pelo menos uma década
- Não pode ser (apenas) uma cúpula mais -, disse Chávez.
O vice-chanceler venezuelano para a África, Reinaldo Bolívar, afirma que os interesses econômicos no continente africano também não são poucos.
- A África é o primeiro continente em posse de minérios, possui 20% do petróleo mundial e é a segunda reserva de água da humanidade -, afirmou.
Além de metas de cooperação em matéria de desenvolvimento, energia, comércio e cultura, a Cúpula América do Sul-África também deve tratar de outros temas de política internacional e economia.
O documento final do encontro deve trazer um pedido por uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A crise econômica mundial também deve fazer parte dos debates entre os chefes de Estado e representantes de governo dos 66 países presentes.
Apesar de não estar na agenda oficial, a crise política em Honduras deve ser tratada pelos líderes sul-americanos "pelo menos nas reuniões bilaterais", afirmou um membro da delegação venezuelana.
Depois da Cúpula América do Sul-África, que termina no domingo, o presidente Lula e seu colega venezuelano Hugo Chávez terão uma reunião bilateral para revisar a agenda política e de cooperação entre Brasil e Venezuela.
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