Novo embate entre Carlos Bolsonaro e o general Heleno repercute nas redes sociais

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Publicado terça-feira, 2 de julho de 2019 as 14:24, por: CdB

A nova disputa interna, no cerne do governo, começou nesta terça-feira com uma mensagem cifrada do ’02’, no Twitter. Ele disse que não aceita a segurança oferecida por Heleno e, na mesma mensagem, diz ser alvo de uma ameaça de morte.

 

Por Redação – de Brasília

 

Após as investidas bem sucedidas contra os ministros-chefes da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que resultaram na queda de ambos, o vereador Carlos Bolsonaro, também chamado de ‘Carluxo’ ou ’02’, segundo filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, abre uma nova frente de batalha. Desta vez, contra o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Embora na reserva, o general Heleno segue em contato com a ultradireita
Embora na reserva, o general Heleno segue em contato com a ultradireita

A nova disputa interna, no cerne do governo, começou nesta terça-feira com uma mensagem cifrada do ’02’, no Twitter. Ele disse que não aceita a segurança oferecida por Heleno e, na mesma mensagem, diz ser alvo de uma ameaça de morte. A provocação, no entanto, não ficou sem resposta. A primeira reação ocorreu ainda nesta manhã.

O general Luiz Eduardo Rocha Paiva, integrante da Comissão de Anistia do governo federal e muito próximo ao general Heleno, revidou em uma mensagem do aplicativo WhatsApp. Ele chama ‘Carluxo’ de “pau-mandado do Olavo”, referindo-se ao astrólogo Olavo de Carvalho, guru da família bolsonaro.

“Pau-mandado de Olavo. Se o pai chama os estudantes vermelhinhos de idiotas úteis, e eu concordo, para mim, o filhinho dele é um ‘idiota inútil’, ou útil para os esquerdistas”, afirmou, n mensagem acrescida de uma assinatura do general e a recomendação: “Pode repassar”.

O ataque

Ao publicar a nota no Twitter, ’02’ seguiu na linha com que iniciou a fritura a Bebianno e Santos Cruz. O vereador carioca integra a chamada ‘ala ideológica’ do governo. Este segmento tem agido contra os militares, que mantêm o pai dele no poder.

O endereço foi uma página bolsonarista, a @snapnaro. Anteriormente, fora publicado o vídeo de um suposto jornalista que acusa o GSI e a FAB de cúmplices do sargento Manoel Silva Rodrigues; preso semana passada, na Espanha, com 39 kg de cocaína no avião a serviço da Presidência da República. A aeronave levava parte da comitiva que acompanhou Bolsonaro à reunião do G20, no Japão. O episódio transformou-se em mais um vexame mundial para o governo brasileiro. Heleno, no entanto, classificou o tráfico de drogas pesadas de um mero “azar”.

O filho do presidente, então, comentou:

“Por que acha que não ando com seguranças? Principalmente aqueles oferecidos pelo GSI? Sua grande maioria podem (sic) ser até homens bem intencionados e acredito que seja, mas estão subordinados a algo que não acredito. Tenho gritado em vão há meses internamente e infelizmente sou ignorado.”

Foro de SP

A página, editada por bolsonaristas radicais, ataca diretamente Heleno. Afirma que “a culpa é dele”, replicando o que assessores palacianos disseram após a prisão do militar traficante. O general chegou a responder, dizendo que a responsabilidade pelas revistas de aeronaves era da FAB.

O vídeo, no qual ’02’ comenta, apoia a teoria conspiratória de que os militares no governo são influenciados pelo Foro de São Paulo, instituição que reúne partidos de esquerda na América Latina.

A organização de esquerda tem sido um dos principais alvos do astrólogo que influencia a tal ‘ala ideológica do governo’. E vai mais longe, ao desconfiar que haja “uma conspiração marxista mundial”, conforme tem escrito, regularmente. Além dos filhos de Bolsonaro, em especial Carlos e o deputado federal Eduardo, e os ministros Ernesto Araújo (Itamaraty) e Abraham Weintraub (Educação) se autoproclamam seguidores de Carvalho.

Outros militares, de alta patente e na ativa, manifestaram-se em grupos de WhatsApp, com pesadas críticas ao segundo filho do presidente. Uns apoiam que os militares se afastem, imediatamente, do governo Bolsonaro. A migração tem ocorrido, ao longo dos últimos meses, em face do que consideram tratamento injusto do presidente com as Forças Armadas. Mas os generais que integram o governo mantiveram, até agora, um silêncio obsequioso.

Villas Bôas

Nas semanas que se sucederam após a saída do general Santos Cruz, os apoiadores de Olavo de Carvalho têm ganhado mais apoio, internamente. Por ordem de Bolsonaro, houve um novo arranjo nas forças internas no Planalto. Dois generais ligados a Heleno foram removidos de cargos importantes. Além de Santos Cruz, o general Floriano Peixoto foi rebaixado da Secretaria-Geral para a direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Após a queda de Santos Cruz, os militares incumbiram o último ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, de sair em defesa do militar demitido. Bolsonaro, no entanto, interveio para apoiar o astrólogo. Villas Bôas ocupa um cargo de confiança no GSI.

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