O desafio da Esfinge

Arquivado em: Opinião, Últimas Notícias
Publicado terça-feira, 22 de maio de 2018 as 09:45, por: CdB

A situação é desoladora, a economia não deslancha, o Brasil retrocede vinte anos com quase 30 milhões de brasileiros subutilizados no mercado de trabalho e a histeria dos rentistas fica cada vez mais forte

Por João Guilherme Vargas Netto – de São Paulo:

A maioria dos trabalhadores empregados vai sobrevivendo como pode; os que têm carteira assinada são acossados pela lei trabalhista celerada, os que são informais sofrem todas as maldades do mercado – baixos salários, jornadas exorbitantes e nenhum direito. O colchão social se esgarça e os indigentes formam uma legião aterradora.

A maioria dos trabalhadores empregados vai sobrevivendo como pode

Mas os rentistas, que ganham bilhões às custas do Estado brasileiro; insistem em aprofundar as deformas que os beneficiam. Para eles sua própria atividade especulativa (basta ver o que aconteceu na última semana com as ações da Petrobrás ou com o dólar); tem justificativa na falta das deformas ou em sua incompletude.

A resistência do povo trabalhador e sua capacidade de sobrevivência digna são emocionantes. Vivemos uma época em que qualquer resistência; mesmo passiva, deve ser valorizada e qualquer vitória; por menor que seja, deve ser trombeteada.

Greve

É hora, portanto, de registrar a greve dos metalúrgicos da Mercedes Benz; a reunião do Brasil Metalúrgico em Caxias do Sul; a greve que se amplia dos trabalhadores da construção civil de São Paulo, as vitórias dos metroviários de São Paulo; a disposição de luta dos professores das redes privadas de São Paulo (que terão uma quarta-feira cheia de manifestações); a greve de zelo dos auditores da Receita Federal e a mobilização dos caminhoneiros contra as permanentes altas do combustível.

Os petroleiros têm sido firmes e coerentes em sua resistência ao desmanche da Petrobrás como empresa estatal produtiva e poderosa.

Esta contradição entre o desarranjo do quadro econômico que poderia levar ao desalento e as demonstrações de resistência e as vitórias deve reforçar o empenho unitário do movimento sindical levando-o a intensificar suas ações, preocupando-se também com a escolha de candidatos nas próximas eleições que sejam favoráveis à plataforma do movimento e capazes de vencer no pleito eleitoral.

Com todas as dificuldades reais e mais algumas o movimento sindical enfrenta o desafio da Esfinge que, se bem resolvido, garantirá sua relevância social.

João Guilherme Vargas Netto, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *