Óleo no mar: mais um exemplo da incompetência do governo Bolsonaro

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Publicado quarta-feira, 6 de novembro de 2019 as 09:17, por: CdB

Quando se pensa que a atual gestão federal não é capaz de mais trapalhadas na área ambiental, mais uma vez somos surpreendidos. Como se já não bastassem as liberações para desmate descontrolado, as confusões internacionais sobre o Fundo Amazônia, os cortes de verba nos órgãos de fiscalização e as queimadas na região Norte, outra surpresa desagradável: o surreal derramamento de óleo no litoral nordestino.

Por Pedro Luiz Teixeira de Camargo – de Belo Horizonte

Ao invés de buscar resolver o problema, o primeiro passo do ministro Sales e sua equipe foi colocar a culpa na Venezuela, outra fake news deslavada que não leva em conta nem mesmo as correntes marítimas da América do Sul. Foi preciso que se achassem barris e se realizassem análises químicas para se comprovar que a procedência era de uma grande multinacional estadunidense, e não do nosso vizinho.

O maior e mais óbvio erro é a falta de transparência
O maior e mais óbvio erro é a falta de transparência

Não satisfeito, o próprio ministro fez questão de atacar Organizações Não Governamentais (ONGs), como se essas também tivessem alguma coisa a ver com o ocorrido. Sem dúvida muitas dessas organizações não são tão sérias como parecem, mas daí a colocar a culpa nelas é só mais um caso clássico de cortina de fumaça para esconder a própria incompetência!

Esse despreparo da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente (MMA) chega a ser risível, não basta tentar destruir todo nosso arcabouço jurídico acerca do tema, é preciso mostrar que também são incapazes de gerir. Pegando somente algumas das negligências realizadas pelo governo, facilmente podemos afirmar que o atual ministro é o pior de todos que já passaram pela pasta. E disparado!

O maior e mais óbvio erro é a falta de transparência, diálogo e parceria. A truculência com que o MMA trata temas e assuntos sensíveis à sociedade chega a ser surpreendente. A ideia louca, que permeia todo o governo Bolsonaro, ressoa nessa pasta de forma exagerada e abrupta. Visitas de equipes do Ministério antes e depois do acidente nem mesmo são conversadas com as secretarias locais, gerando uma desconfortável situação entre as diferentes esferas de poder.

Outro assustador ponto é simplesmente ignorar suas próprias orientações de como agir em situações do tipo! Como noticiado amplamente pela imprensa, o próprio MMA conseguiu a proeza de violar seu próprio Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC)! Dos trinta e cinco critérios ali presentes, cerca de vinte não deixavam claro como agir em incidentes como o ocorrido! Um verdadeiro absurdo!

Essa confusão toda fez com que o PNC, que deveria ter se iniciado no início de setembro, com os primeiros sinais de derramamento de óleo, comçasse somente no meio de outubro! Um mês depois do que seria indicado no próprio manual! Incompetência, burrice ou má gestão? Difícil responder…

O despreparo

Outro ponto que corrobora com o despreparo do MMA se dá por extinguir comitês e conselhos acerca da temática. Restringir a participação popular sob o argumento de que isso são gastos desnecessários, além de ferir as prerrogativas do estado democrático de direito, restringe com que os principais interessados na preservação dos ecossistemas marinhos (a sociedade) possam se manifestar.

Poderíamos citar mais constrangimentos de Sales, como por exemplo declarar que uma praia imprópria para banho estava liberada ou atacar voluntários que estão tentando limpar com os próprios braços o mar, mas isso não se faz necessário, os fatos falam por si: é incrível como o tal do NOVO, partido do ministro, não apresenta nada de novo, na verdade mostra que não sabe gerir a máquina pública, é apenas mais uma legenda de aluguel para políticos oportunistas tentarem se dar bem.

Talvez o mais triste a se constatar seja pensar que em menos de um ano, o atual governo federal conseguiu a proeza de causar tantas tragédias ao meio ambiente que levaremos muito tempo para voltarmos, minimamente, ao patamar que estávamos dez meses atrás, se tem uma coisa que Bolsonaro e sua trupe estão cumprindo é a promessa de destruir tudo! Impressionante!

Nesse mais novo episódio fatídico, talvez a única coisa a se comemorar seja a força do povo nordestino. Mesmo com os boicotes do governo federal e o descaso do MMA, estão, na raça, tentando limpar o mar e diminuir o impacto desse terrível acidente ambiental, inclusive nos recifes de coral!

A esses heróis anônimos, todos os aplausos possíveis parecem pouco! Mas a esses gestores irresponsáveis, também todo o nosso desprezo é pouco! Torço que paguem por tudo que estão causando por incompetência, negligência e má gestão. A sociedade não merece o que se tornou o atual Ministério de Meio Ambiente.

Até a próxima.

Pedro Luiz Teixeira de Camargo, é Biólogo, Geógrafo e Professor; atualmente é Doutorando em Evolução Crustal e Recursos Naturais pela UFOP/MG e Membro da Direção Eixo Sudeste da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (EcoEco). Foi diretor da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e da Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG).

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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