OMS: jovens saudáveis só deverão ser vacinados em 2022

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Publicado quinta-feira, 15 de outubro de 2020 as 14:50, por: CdB

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta quinta-feira que jovens saudáveis possivelmente terão que esperar até 2022 para serem vacinados contra a covid-19, já que a produção inicial deverá ser destinada para grupos prioritários e de alto risco.

Por Redação, com DW – de Bruxelas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta quinta-feira que jovens saudáveis possivelmente terão que esperar até 2022 para serem vacinados contra a covid-19, já que a produção inicial deverá ser destinada para grupos prioritários e de alto risco. A logística para a produção de bilhões de vacinas em um curto espaço de tempo é um desafio.

Logística para produção de bilhões de vacinas em pouco tempo é um desafio, afirma OMS
Logística para produção de bilhões de vacinas em pouco tempo é um desafio, afirma OMS

– As pessoas acham que no dia 1º de janeiro vai haver uma vacina e tudo vai voltar ao normal, mas não vai ser assim. Ninguém jamais produziu vacinas nos volumes que serão necessários. Então, em 2021, esperamos ter vacinas, mas em uma quantidade limitada – disse Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, em um vídeo com perguntas e respostas publicado nas redes sociais.

De acordo com ela, há um claro consenso de que os primeiros a serem vacinados deverão ser os profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia. Depois, os idosos e as pessoas de grupos de risco.

– Uma pessoa jovem e saudável terá que esperar até 2022 para ser vacinada – completou a cientista.

Em torno de 10 potenciais vacinas contra a covid-19 estão atualmente na fase 3 de testes clínicos. Isso significa que grupos de milhares de pessoas estão sendo inoculados em locais onde o coronavírus continua circulando com intensidade, com o objetivo de verificar a eficácia da vacina e descartar efeitos colaterais graves.

Ao todo, 40 vacinas estão em uma das três fases dos testes clínicos, e 200 estão em testes de laboratório.

– Até termos os resultados da fase 3, não saberemos quais e quantas dessas vacinas serão seguras, eficazes e protegerão por um longo período – explicou Swaminathan.

A cientista afirmou que esses resultados poderão ficar prontos no início do próximo ano. A partir de então, há uma série de regulamentos e aprovações a serem cumpridas.

A OMS pediu a todas as empresas com testes avançados que liberem acesso aos seus resultados, a fim de agilizar a publicação de diretrizes e regulamentos que poderiam ser aplicados em todo o mundo.

Nesta semana, a fase 3 de testes da vacina da Johnson & Johnson foi interrompida. A empresa investiga se o imunizante pode ter relação com uma doença inesperada detectada em um dos voluntários.

No começo de setembro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford também teve os testes da fase 3 interrompidos, para que um suposto efeito colateral em uma voluntária fosse investigado. Os ensaios foram retormados dias depois, após a agência sanitária do Reino Unido ter atestado a segurança dos testes.

Alerta aos governos

A cientista-chefe da ONU também alertou que os governos não devem ser “complacentes” em relação à taxa de mortalidade, que tem decrescido.

Embora as mortes em todo o mundo tenham caído para cerca de 5 mil por dia, média abaixo do pico de 7,5 mil registrado em abril, Swaminathan disse que o número de pacientes nas unidades de terapia intensiva está subindo. Ela alertou que “o aumento da mortalidade sempre fica algumas semanas atrás do aumento dos casos”.

Para a especialista da OMS, a ideia de deixar a infecção se espalhar na esperança de alcançar a “imunidade do rebanho” é antiética e causaria mortes desnecessárias.

– As pessoas falam sobre imunidade coletiva. Devemos apenas falar sobre isso no contexto de uma vacina – disse Swaminathan. “Você precisa vacinar pelo menos 70% das pessoas para realmente interromper a transmissão”, completou a cientista.

A cifra de casos de coronavírus segue crescendo. Na Europa, o número de novas infecções diárias chegou à marca de 100 mil. No Reino Unido, por exemplo, foram quase 20 mil casos na quarta-feira. Alemanhae Bélgica registraram recordes no número diário de infecções nesta quinta-feira. Nos Estados Unidos, os casos subiram para quase 60 mil em um dia, nível mais alto desde o início de agosto.

Ao todo, mais de 38 milhões de pessoas foram infectadas em todo o mundo e mais de 1 milhão morreram, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

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