Os nômades forçados e a negação da política

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Publicado quarta-feira, 20 de junho de 2018 as 13:30, por: CdB

Findando a segunda década do século XXI, celebram-se conquistas da ciência e da tecnologia em todas as esferas da pesquisa e da inovação

Por Luciano Siqueira – de Brasília:

O aporte de novas tecnologias aos processos produtivos, por exemplo, elevaram enormemente a capacidade de se produzir mais e melhores mercadorias em menor espaço de tempo.

Daí a crise de valores e de perspectiva, que atinge quase toda a humanidade

Assim como se aprimora extraordinariamente a capacidade humana de extrair o melhor desempenho da agricultura e espaços reduzidos.

Isso para acentuar a possibilidade real de se diminuir a jornada de trabalho dos que atuam na produção e nos serviços, permitindo ao trabalhador mais tempo para sua evolução intelectual e para o lazer.

Entretanto, a lógica do capitalismo se mantém centrada na busca do lucro máximo via extração da mais-valia relativa e absoluta.

Democratização

Ao invés da democratização das oportunidades e do bem estar, a acelerada concentração da produção e da riqueza.

Assim, segundo estudo da Oxfam, a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes.

Um mundo de contradições e carências implica na disputa desenfreada por fontes de energia, o petróleo em especial, e mergulha em conflitos regionais crescentemente sangrentos.

Nesse contexto, o relatório Tendências Globais, da ONU assinala que há hoje em nosso Planeta 68,5 milhões de pessoas deslocadas de suas áreas de origem, o maior número em 7 décadas.

No ano passado, 2,9 milhões de pessoas se tornaram refugiadas. São nômades forçados.

Daí a crise de valores e de perspectiva, que atinge quase toda a humanidade.

E numa economia global em crise sistêmica e estrutural, que se arrasta desde 2008, sem sinais de superação real, ocupa o comando de tudo precisamente o capital financeiro internacional, que ao mesmo tempo engendra a crise e adota “saídas” consonantes com seus próprios interesses.

Aí está a causa primordial da campanha mundial de descrédito na política.

Em toda parte, utiliza-se de fatos negativos reais, como a prática da corrupção institucional, para alardear a falsa ideia de que pela via política não se resolvem os problemas que afligem toda a sociedade

Mas é precisamente através da política que se formam pactos sociais e políticos, e os modernos “donos do mundo” não têm o que oferecer além da preservação do status quo. Então, que se elimine a política como forma de negociação dos conflitos.

Nessa matéria, o que ocorre no Brasil dos nossos dias é parte desse drama mundial.

Resistir é preciso. Sempre.

Luciano Siqueira, é médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB.

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