‘Pacotaço’ Bolsonaro-Guedes vai afundar a economia

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Publicado sexta-feira, 8 de novembro de 2019 as 09:49, por: CdB

Jair Bolsonaro e seu tóxico “Posto Ipiranga”, o ministro Paulo Guedes, apresentaram um “pacotaço” econômico batizado de “Plano Mais Brasil”.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

As medidas anunciadas foram elogiadas pela cloaca burguesa, mas não empolgaram o “deus-mercado”, conforme se constatou no pregão da Bolsa de Valores. Já entre os economistas contrários às teses neoliberais, elas foram duramente criticadas, prevendo-se que agravarão ainda mais o cenário econômico brasileiro, gerando queda de renda e aumento do desemprego.

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro

Ouvido pela Rede Brasil Atual, o economista João Sicsú, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi incisivo ao afirmar que o plano não propõe saídas para a crise e representa apenas o aprofundamento do modelo adotado a partir do golpe que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer.

Entre outras maldades, ele realça que o “pacotaço” impactará diretamente a oferta e a qualidade dos serviços públicos, prejudicando os mais pobres.

Crise fiscal

O plano prevê que, em situações de crise fiscal, União, estados e municípios poderão reduzir em 25% as jornadas dos servidores públicos, com redução equivalente dos salários por até 12 meses.

– A solução deveria ser ativar o emprego para reduzir o déficit fiscal. Enquanto o governo tiver apenas esse olhar contábil das contas públicas, esses pacotes tendem a agravar a situação. O desemprego segue elevado, a economia não cresce e os investimentos públicos e privados são baixíssimos – alerta João Sicsú. Para ele, o plano prega a redução do tamanho do Estado baseada na crença de que o livre mercado resolve tudo. “Já foi provado pela história que toda vez que se tenta esse caminho, o resultado não é satisfatório”, argumenta.

Outra maldade prevista no “pacotaço” do abutre Paulo Guedes é a proibição do aumento real do salário mínimo por dois anos. Tratada como medida de emergência, esse arrocho também terá impacto sobre o consumo e a geração de emprego.

Instituída em 2007, após intensa negociação das centrais sindicais com o governo Lula, a política de reajuste do mínimo acima da inflação foi decisivo para aquecer o mercado interno e reduzir as taxas de desemprego no país. Agora, porém, o laranjal de Jair Bolsonaro extingue essa conquista social.

O “Plano Mais Brasil” ainda prevê outras medidas de austericídio fiscal, como o fim do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que garante o seguro-desemprego. Ele também traz alguns factoides, como a proposta de extinção de mais de mil cidades com menos de 5 mil habitantes.

Para Ary Vanazzi, presidente da Associação Brasileira dos Municípios (ABM) e prefeito de São Leopoldo (RS), “a questão da incorporação de municípios é um bode na sala. Não se sustenta politicamente nem tecnicamente. Principalmente num ano eleitoral”.

Altamiro Borges, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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