Para general linha-dura, tropa está ‘vacinada’ contra novo golpe militar

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Publicado quarta-feira, 30 de maio de 2018 as 21:34, por: CdB

Forças Armadas se sentem ‘lisonjeadas’, mas sabem que esse não é o caminho, diz general Heleno. Segundo o general, a intervenção dos militares na vida civil do país não é um pedido apenas dos caminhoneiros.

 

Por Redação – de São Paulo

 

General da reserva e reconhecidamente ‘linha-dura’; ou seja, ligado às forças da extrema direita no país, Augusto Heleno compara os pedidos de intervenção militar de parte dos eleitores do pré-candidato do PSL à Presidência da República, deputado Jair Bolsonaro, e os movimentos que geraram o golpe militar de 1964. Heleno, no entanto, embora tenha declarado apoio a Bolsonaro, afirma que as Forças Armadas estão “vacinadas” e não pretendem tomar o poder.

Embora na reserva, o general Heleno segue em contato com a ultradireita
Embora na reserva, o general Heleno segue em contato com a ultradireita

— É lógico que as Forças Armadas se sentem ‘lisonjeadas’ pela credibilidade que essas faixas demonstram, mas têm plena consciência de que esse não é o caminho. O caminho são as eleições que vão acontecer — disse o general, em entrevista a jornalistas de um dos diários conservadores paulistanos, publicada nesta quarta-feira.

Conservadores

Segundo o general, a intervenção dos militares na vida civil do país não é um pedido apenas dos caminhoneiros.

— Há um crescimento exponencial desse tipo de manifestação. Não é igual a 64, mas é semelhante, guardadas as enormes diferenças e devidas proporções. A semelhança é esse clamor popular pela intervenção militar. É um sentimento que vai crescendo na população que enxerga nos militares a solução para o problema nacional. Mas as Forças Armadas estão vacinadas, não pretendem isso, não buscam isso e de maneira nenhuma trabalham para isso — acrescentou.

Para o militar os valores das Forças Armadas continuam os mesmos, “mas há uma outra geração de militares, formada pela geração que viveu o período militar e colocou na cabeça dos atuais generais que esse não era o caminho. Que esse é um caminho esdrúxulo”.

— Até tem previsto na Constituição uma intervenção no caso do caos, mas não é o pensamento nem o desejo dessa geração de militares — adianta.

General da ativa

O motivo para esses pedidos, segundo Heleno, é a imagem de “um país mais organizado” deixada pela propaganda do período ditatorial.

— Não estou dizendo que fosse assim, mas essa é a imagem que muita gente tem. Há uma espécie de conscientização de que os militares são capazes de colocar ordem na casa. Nós sabemos que isso é fruto de uma crise que o país está vivendo. Mas é claro que não vai se repetir. A história dá muitos ensinamentos, mas dificilmente se repete.

Os oficiais e generais da ativa, segundo o general da reserva “afastam essa possibilidade (de um golpe de Estado). Repudiam esse tipo de manifestação, mas têm plena consciência de que esse não é o caminho. O caminho são as eleições que vão acontecer”. Nem mesmo Bolsonaro, diz Heleno, concorda com a hipótese de uma nova quartelada no país.

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