Pedido de quebra de sigilo complica situação de Temer no Judiciário

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Publicado terça-feira, 6 de março de 2018 as 15:44, por: CdB

Barroso é o responsável no STF pelo inquérito que investiga o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos, assinado pelo presidente de facto, Michel Temer, em maio do ano passado.

 

Por Redação – de Brasília

 

O chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), reuniu-se com lideres do governo na noite passada e criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal (STF), Luís Roberto Barroso, de quebrar o sigilo bancário do presidente de facto, Michel Temer (MDB).

O presidente de facto, Michel Temer, passa a responder a mais um inquérito no STF

Marun relacionou a decisão de quebrar o sigilo de Temer com a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Segundo ele, “querem enfraquecer o comandante na guerra contra o crime”. Na realidade, o crime passa a ser uma sombra a mais na situação jurídica do mandatário.

— Todos foram unânimes na reação de estranheza porque parece que, no momento em que o governo precisa estar forte para enfrentar o crime, busca-se enfraquecer o comandante através da inclusão dele no inquérito da Odebrecht e, agora, a quebra do sigilo — disse.

Falcatruas

Barroso é o responsável no STF pelo inquérito que investiga o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos, assinado pelo presidente de facto, Michel Temer, em maio do ano passado. É a primeira vez que um presidente do país tem seu sigilo bancário quebrado durante o exercício do mandato.

Nesta manhã, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) usou as redes sociais para comentar a quebra do sigilo bancário de Michel Temer, autorizada pelo ministro Luis Roberto Barroso, do STF. O parlamentar lembrou das conexões históricas de Temer com as falcatruas no Porto de Santos e previu: “pode vir mais uma denúncia por aí”.

“A quebra de sigilo bancário de Temer é uma bomba para o governo. Ele é o homem do Porto de Santos há décadas. E o decreto que teve Rocha Loures, o da mala, como pivô, complica muito a vida do golpista. Deve dar novo processo na Câmara. Só que em ano eleitoral, nem compra de votos resolve.

Golpista

O caso se agrava quando; um dia depois que a JBS diz ter entregue um volume de dinheiro destinado a Temer, o então vice-presidente concluiu a compra de dois terrenos. Ambos somam 4,7 mil metros quadrados em um condomínio de luxo em Itu; no interior de São Paulo. A área fica no condomínio Terras de São José II, que possui 20 quadras de tênis, dois campos de futebol, academia de golfe, centro hípico e heliponto.

Seria apenas uma compra típica de um milionário; mas o momento da aquisição chama a atenção pela coincidência de datas. Temer foi, de acordo com depoimentos de delatores à Operação Lava Jato; o destinatário de cerca de R$ 2 milhões em pagamentos de propina da Odebrecht e da JBS entre o fim de agosto e o começo de setembro de 2014.

No dia 2 de setembro de 2014, a JBS diz ter levado R$ 1 milhão em espécie ao coronel João Baptista Lima Filho; amigo pessoal e considerado o mais antigo operador de propinas de Temer, segundo a Lava Jato.

Tabapuã

De acordo com depoimentos e documentos dos delatores do frigorífico; esse pagamento era destinado a Temer. E fazia parte de um acerto de R$ 15 milhões para o mandatário. O caminho da suposta propina ainda é alvo de investigação.

Um dia após a entrega de dinheiro relatada pela JBS, em 3 de setembro daquele ano; a Tabapuã Investimentos e Participações, empresa criada e controlada por Temer, concluiu em cartório a aquisição, por R$ 334 mil, do lote 11; da quadra 24, no condomínio Terras de São José II. A propriedade ocupa 2.604 metros quadrados.

Temer também usou a Tabapuã para concluir a compra do lote 12; da quadra 24, no mesmo condomínio. A área é de 2.092 metros quadrados, ao preço de R$ 380 mil. Ao contrário da prática comum em escrituras do gênero; não foram discriminados nos registros como foram feitos os pagamentos pelos imóveis.

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