Pesquisadores desenvolvem tecido que neutraliza novo coronavírus

Arquivado em: Destaque do Dia, Saúde, Últimas Notícias, Vida & Estilo
Publicado quinta-feira, 23 de julho de 2020 as 11:58, por: CdB

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), da Universitat Jaume I, da Espanha, e do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) desenvolveram um tecido capaz de inativar o coronavírus SarS-CoV-2, agente causador da covid-19.

Por Redação, com ABr – de São Paulo

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), da Universitat Jaume I, da Espanha, e do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) desenvolveram um tecido capaz de inativar o coronavírus SarS-CoV-2, agente causador da covid-19. O projeto teve ainda a participação de equipe da empresa Nanox, de nanotecnologia.

Tecido é capaz de eliminar 99,9% do novo coronavírus em dois minutos
Tecido é capaz de eliminar 99,9% do novo coronavírus em dois minutos

O tecido, que deve servir principalmente para a fabricação de peças de roupas hospitalares e já está chegando ao mercado, é capaz de eliminar 99,9% do novo coronavírus em cerca de dois minutos. A composição deriva de uma mistura de poliéster com algodão, que se soma, por meio de um processo chamado pad-dry-cure, à camada de micropartículas de prata, fixada.

A aplicação de pequenas partículas de prata consiste em uma técnica difundida há algum tempo entre os industriais, estando presente nos ramos têxtil, de cosméticos e de tintas.

O projeto

Conforme explicou à Agência Brasil o pesquisador Lucio Freitas Junior, que trabalha no laboratório de biossegurança de nível 3 (NB3) do ICB, o projeto aproveitou a amostra de novo coronavírus que havia sido isolada e cultivada a partir da carga contraída por um dos primeiros pacientes diagnosticados com a doença, tratado no Hospital Israelita Albert Einstein.

– Tínhamos o vírus isolado e armazenado no nosso laboratório, em grande quantidade. Nosso laboratório fornece vírus ao Brasil todo e ao exterior, para a realização de estudos –comentou.

Para se certificar da eficácia do material, os pesquisadores cumpriram uma segunda etapa, de análise molecular. Além de testes para avaliação da atividade antiviral, antimicrobiana e fungicida, avaliaram outros aspectos importantes para que o produto pudesse ser liberado para comercialização, como assegurar que não desencadeia alergias ou outras reações adversas no organismo.

Produção de vacina

O governador de São Paulo, João Doria, disse na quarta-feira que o Instituto Butantan vai abrir um canal de doações para arrecadar até R$ 130 milhões.

O objetivo, segundo Doria, é ampliar a capacidade do Instituto para fabricar vacinas, especialmente a do CoronaVac, que está em fase de testes no Brasil e que, caso seja aprovada, começará a ser fabricada pelo Butantan, após acordo feito com uma farmacêutica chinesa.

– Hoje iniciamos um programa de solicitação de doações ao Instituto Butantan para que ele possa arrecadar R$ 130 milhões e rapidamente investir em equipamentos e tecnologia para aumentar a capacidade de produção, que hoje já é de 120 milhões de unidades da Coronavac. Por que desejamos aumentar a produção? Para o atendimento da totalidade de brasileiros, já que a vacina será aplicada duas vezes – disse Doria.

Segundo o governador, se houver uma segunda ou terceira vacina contra o novo coronavírus, como a de Oxford, que também está sendo testada no Brasil, o Butantan vai exportar a sua vacina para países vizinhos.

A primeira dose da CoronaVac foi aplicada na manhã de terça-feira em uma médica do Hospital das Clínicas, na capital paulista. Ao todo, os testes com a CoronaVac serão realizados em 9 mil voluntários em centros de pesquisas de seis estados brasileiros: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A pesquisa clínica será coordenada pelo Instituto Butantan e o custo da testagem é de R$ 85 milhões, custeados pelo governo.

Caso seja comprovado o sucesso da vacina, ela começará a ser produzida pelo Instituto Butantan a partir do início do ano que vem, com mais de 120 milhões de doses, o suficiente para vacinar cerca de 60 milhões de brasileiros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *