Petrobras aproveita a pandemia para ampliar presença no mercado asiático

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Publicado segunda-feira, 20 de julho de 2020 as 13:40, por: CdB

O movimento reflete a crescente influência do Brasil entre os grandes produtores globais de petróleo à medida que massivos projetos offshore no país iniciam produção.

Por Redação, com Reuters – da Cidade do México e Rio de Janeiro

O Brasil ampliou as exportações de petróleo para a Ásia no primeiro semestre, tomando uma fatia de mercado de rivais que têm promovido cortes recordes nos embarques em meio à queda sem precedentes na demanda causada pela pandemia do coronavírus.

Os estoques da Petrobras estavam lotados, devido ao corte mundial no consumo de petróleo

O movimento reflete a crescente influência do Brasil entre os grandes produtores globais de petróleo à medida que massivos projetos offshore no país iniciam produção. O Brasil deve dar uma das maiores contribuições para o aumento da oferta global nos próximos cinco anos entre os países não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo a Agência Internacional de Energia.

A estatal Petrobras ofereceu a refinarias na Ásia acordos competitivos por seu petróleo de relativamente alta qualidade justo no momento em que a China e outros países reabriam suas economias e enquanto nações no Ocidente entravam em “lockdowns” para conter a disseminação do vírus, disseram operadores de mercado.

Recuperação

A China também tomou vantagem dos menores preços do petróleo em décadas para preencher reservas estratégicas.

— Se nós tivéssemos mais petróleo disponível, a China teria comprado — disse o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em respostas por escrito a questionamentos.

Castello Branco disse que não havia como aumentar mais as exportações porque a demanda no Brasil também estava se recuperando. A China é agora o destino de 70% do petróleo exportado pelo país, disse a Petrobras em nota à agência inglesa de notícias Reuters.

Combustível

A Ásia importou uma média de 1,07 milhão de barris por dia de petróleo do Brasil no primeiro semestre, alta de 30% na comparação anual, segundo dados de fluxos de comércio do Refinitiv Eikon.

Os portos asiáticos receberam em junho um recorde de 1,62 milhão de bpd em petróleo do Brasil, quase o triplo do volume em julho de 2019, segundo os dados. (Gráfico: importações de petróleo da Ásia junto à América Latina- here)

Refinarias da Ásia também têm apetite pelo tipo de petróleo com baixo teor de enxofre que o Brasil vende, uma vez que buscam cumprir com novas regulações para combustível de navios que visam reduzir emissões.

Mercado

Esse petróleo vem dos produtivos reservatórios do pré-sal, onde a Petrobras e outras grandes petroleiras estão investindo centenas de bilhões de dólares no desenvolvimento da produção. Isso ofereceu à Petrobras uma oportunidade para ampliar seu mercado mesmo enquanto a Opep e seus aliados, conhecidos como Opep+, cortavam a oferta em um recorde de 9,7 milhões de bpd.

A Petrobras está confiante de que a qualidade de seu petróleo permitirá a ela defender sua maior fatia no mercado mesmo à medida que outros produtores globais começam a produzir mais.

“Houve uma estratégia bem planejada de expandir as vendas de petróleo no mercado asiático”, disse a empresa, em nota. “Mesmo que a Opep+ retome seu nível de produção, nós acreditamos que isso terá pouco impacto nas exportações”, adicionou.

As maiores exportações também fizeram a Petrobras não precisar alugar navios-tanque apenas para armazenar petróleo, uma opção custosa que muitos rivais ao redor do mundo foram obrigados a adotar depois que a demanda desabou durante lockdowns e refinarias não queriam mais seu petróleo.

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