PF aprofunda investigação sobre corrupção em concessão de rodovias no Paraná

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Publicado quarta-feira, 26 de setembro de 2018 as 11:16, por: CdB

As concessionárias são suspeitas de pagamento de propina em contratos para a administração de 2,5 mil quilômetros do Anel de Integração do Estado do Paraná.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A Polícia Federal foi às ruas nesta quarta-feira para cumprir 19 mandados de prisão em um aprofundamento das investigações sobre esquema de corrupção na concessão de rodovias federais no Estado do Paraná envolvendo seis concessionárias, informaram a PF e o Ministério Público Federal.

Lava Jato aprofunda investigação sobre corrupção em concessão de rodovias no Paraná

As concessionárias são suspeitas de pagamento de propina em contratos para a administração de 2,5 mil quilômetros do Anel de Integração do Estado do Paraná.

Cerca de 400 agentes da PF, do MPF e da Receita Federal participaram da ação realizada nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo contra as concessionárias Econorte, Ecovia, Ecocataratas, Rodonorte, Viapar e Caminhos do Paraná, além de intermediadores e agentes públicos corrompidos, disseram as autoridades.

– O objetivo é aprofundar as investigações sobre a prática de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato e peculato em esquema relacionado à administração das rodovias federais no Paraná – disse o MPF em nota sobre a operação, 55ª fase da Lava Jato.

De acordo com a investigação, foi identificado um amplo esquema de corrupção envolvendo o pagamento de propina a agentes públicos a fim de obter boa vontade da administração estadual para a análise de pleitos de aditivos e outros atos que atendessem aos interesses das empresas.

Propina

As autoridades estimam que houve pagamento de propina de ao menos R$ 55 milhões por meio de dois esquemas separados envolvendo as concessionárias e agentes públicos, que foram de 1999 até 2015.

Na primeira etapa da operação, deflagrada em fevereiro, a PF e o MPF investigaram casos suspeitos de corrupção ligados à gestão das concessões rodoviárias federais da concessionária Econorte, da Triunfo Participações, no Estado do Paraná.

Segundo a PF, a análise das provas e dados reunidos na primeira fase e acordos de colaboração premiada firmados por alguns investigados possibilitaram a identificação de “núcleos específicos e organizados que atuavam de forma criminosa para explorar e obter benefícios indevidos a partir dos contratos de concessão de rodovias federais” paranaenses.

Entre os núcleos da organização havia um político, composto por altas autoridades do Governo do Paraná que agiam praticando atos de ofício em benefício das concessionárias e realizando influência política junto aos órgãos técnicos, assim como o núcleo empresarial, composto por funcionários, diretores e presidentes das concessionárias que se organizavam para ratear o pagamento de propina e propor aditivos contratuais, segundo as autoridades.

A CCR Rodovias, que administra a Rodonorte, disse em comunicado enviado à agência inglesa de notícias Reuters que tem contribuído com as autoridades no sentido de esclarecer todos os pontos pertinentes à questão em curso e que permanece à disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se fizerem necessários. A empresa confirmou em fato relevante a realização de operações de busca e apreensão na sede da companhia e da controlada Rodonorte, assim como nas residências de executivo e ex-executivo da Rodonorte.

A Ecorodovias, que detém as concessionárias Ecovia e Ecocataratas, a Triunfo e as demais concessionárias Viapar e Caminhos do Paraná não comentaram de imediato.

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