PF mira núcleo financeiro do PCC em operação com mandados em sete Estados

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Publicado terça-feira, 6 de agosto de 2019 as 10:28, por: CdB

A Polícia acrescentou que foram bloqueadas mais de 400 contas bancárias suspeitas em todo o país cujos valores seriam utilizados para pagar a compra de armas de fogo.

Por Redação, com Reuters e ABr – de Brasília/São Paulo

A Polícia Federal mobilizou cerca de 180 agentes nesta terça-feira para cumprir 30 mandados de prisão e 55 de busca e apreensão em sete Estados como parte de uma operação que visa desarticular o núcleo financeiro da facção criminosa PCC, com suspeita de movimentação mensal de 1 milhão de reais, informou a PF em comunicado.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, a Operação Cravada

De acordo com a Polícia Federal, os mandados foram expedidos pela Vara Criminal de Piraquara, no Paraná, cidade em cuja penitenciária estadual existiria uma espécie de núcleo financeiro da facção criminosa, de acordo com as investigações iniciadas em fevereiro deste ano.

“Os pagamentos, também chamados de ‘rifas’, eram repassados à organização criminosa por intermédio de diversas contas bancárias e de maneira intercalada, com uso de medidas para dificultar o rastreamento. A investigação indica a circulação de aproximadamente 1 milhão de reais/mês nas diversas contas utilizadas em benefício do crime”, disse a PF em comunicado.

Mandados

Dos 30 mandados de prisão, oito foram cumpridos em presídios, sendo três em São Paulo, um no Mato Grosso do Sul e quatro no Paraná, disse a PF, que passou a atuar no caso devido ao caráter interestadual da facção criminosa. Também foram expedidos mandados a serem cumpridos em Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

A PF acrescentou que foram bloqueadas mais de 400 contas bancárias suspeitas em todo o país cujos valores seriam utilizados para pagar a compra de armas de fogo e de entorpecentes para a facção, além de providenciar transporte e manutenção da estadia de integrantes e familiares de membros da facção em locais próximos a presídios.

“A operação deflagrada hoje visa sufocar as reações das lideranças de Facções Criminosas, atingindo os núcleos importantes de comunicação e de gerenciamento financeiro”, afirmou a PF.

Roubo de ouro

A Justiça decretou as prisões preventivas de seis pessoas envolvidas no roubo de 718,9 quilos de ouro no terminal de cargas de aeroporto internacional André Franco Montoro, conhecido como aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O crime aconteceu no dia 25 de julho.

Dos seis, quatro cumpriam prisões temporárias por suspeita de participação no roubo.

As informações foram divulgadas na noite de segunda-feira pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil paulista. “Policiais da 5ª Delegacia Patrimônio [Investigações sobre Roubo a Banco], responsáveis pelas apurações, reuniram informações que permitiram identificar e prender quatro envolvidos e indiciar outros dois indivíduos, agora procurados”, divulgou o Deic, em nota.

Histórico

O grupo chegou ao aeroporto por volta das 14h30, em dois carros disfarçados de viaturas da Polícia Federal. Fortemente armados, os homens renderam funcionários que faziam a manipulação da carga e os obrigaram a transferir o ouro para uma das caminhonetes. A entrada dos ladrões foi facilitada por um supervisor de logística que havia sido rendido na noite anterior.

Na manhã do dia 24, o funcionário foi fechado no trânsito enquanto levava a esposa ao trabalho, na região da Avenida Jacu-Pêssego, zona leste paulistana. A ação foi feita por um veículo caracterizado de ambulância, de onde desceu um criminoso que rendeu o supervisor e obrigou a mulher a entrar no veículo usado pelos criminosos. O ladrão explicou que a esposa permaneceria como refém e ele seria obrigado a auxiliar o grupo no roubo.

No final daquela tarde, o funcionário teve um novo encontro com os criminosos, quando foi levado à própria casa e teve toda a família feita refém: a sogra, o cunhado, a cunhada, os dois filhos e uma criança da vizinhança. No dia seguinte, no dia 25 de julho, ele foi levado junto com os criminosos para realizar a ação. O metal, dividido em 31 malotes, tinha como destino Nova York (EUA) e Toronto (Canadá).

Após a ação no aeroporto, o grupo foi até um estacionamento em São Miguel Paulista, Zona Leste da capital, onde transferiu o ouro para outros dois carros encontrados pela polícia. Nenhum dos veículos usados no crime consta como roubado. A polícia suspeita que eles tenham sido comprados no interior do estado por meio de fraudes. Mais dois veículos também foram abandonados pelos ladrões e não se sabe como o ouro foi transportado a partir de então.

Depois do roubo, a esposa do supervisor foi liberada em Itaquaquecetuba, município da parte leste da Grande São Paulo. O funcionário também foi libertado ileso.

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