Polícia diz que assessor de Johnson pode ter cometido violação do isolamento

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Publicado quinta-feira, 28 de maio de 2020 as 13:15, por: CdB

A polícia do Reino Unido disse que Dominic Cummings, assessor de alto escalão do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pode ter violado as regras do isolamento do coronavírus ao viajar de carro com sua esposa e filho até um castelo, mas disse que não tomará nenhuma providência.

Por Redação, com Reuters – de Londres

A polícia do Reino Unido disse que Dominic Cummings, assessor de alto escalão do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pode ter violado as regras do isolamento do coronavírus ao viajar de carro com sua esposa e filho até um castelo, mas disse que não tomará nenhuma providência.

Dominic Cummings, assessor de alto escalão do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson
Dominic Cummings, assessor de alto escalão do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson

Cummings, que fez campanha pela aprovação da separação britânica da União Europeia no referendo de 2016 e ajudou na vitória eleitoral de Johnson em 2019, está lutando para manter o emprego desde que revelações sobre uma longa viagem de carro no auge do isolamento provocaram revolta em todo o país.

Ele se recusou a pedir desculpas pela viagem, durante a qual percorreu 400 quilômetros até a propriedade de seus pais no norte da Inglaterra e foi a um castelo local para, segundo ele, testar sua visão e sua habilidade ao volante após ter adoecido.

A polícia de Durham disse que Cummings não cometeu um delito ao ir para a propriedade de seu pai em Durham, mas que a viagem de 41 quilômetros até o Castelo Barnard pode ter sido uma violação secundária dos regulamentos.

A corporação disse que “concluiu que pode ter havido uma violação secundária dos regulamentos que teria justificado uma intervenção policial”.

“A força policial de Durham vê isto como uma violação secundária porque não houve violação aparente do distanciamento social”.

A polícia ainda disse que, se um agente tivesse parado Cummings durante a viagem, teria o aconselhado a voltar para a casa dos pais.

Viagem

Johnson e ministros de seu governo disseram várias vezes que Cummings não fez nada de errado ao viajar à propriedade de seu pai, enquanto quase 70 milhões de cidadãos britânicos aderiam ao conselho do governo de ficar em casa.

O relato sobre a viagem de Cummings foi publicado primeiramente pelos jornais The Mirror e The Guardian.

O premiê e seu escritório de Downing Street disseram que algumas das reportagens sobre seu assessor são inexatas.

A polícia disse não ter encontrado indícios suficientes para corroborar as reportagens segundo as quais Cummings voltou a Durham no dia 19 de abril.

“A força policial de Durham não adotará outras ações nesta questão e informou o senhor Cummings de sua decisão”.

Downing Street disse que Johnson vê a questão superada.

– O primeiro-ministro disse que acredita que o senhor Cummings se comportou sensata e legalmente, dadas todas as circunstâncias, e considera o assunto encerrado – disse o porta-voz de Downing Street.

França, Itália e Bélgica

França, Itália e Bélgica se mobilizaram para interromper o uso da hidroxicloroquina para tratar pacientes de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, devido às dúvidas sobre a segurança do remédio contra a malária.

A França cancelou na quarta-feira um decreto que permitia que médicos de hospitais ministrassem o remédio, e a Agência Italiana de Medicina (AIFA) suspendeu a autorização de uso da hidroxicloroquina contra a covid-19 fora de testes clínicos.

A agência de medicina da Bélgica, por sua vez, alertou contra a continuação do uso do remédio para tratar o vírus, exceto em testes clínicos registrados em andamento, dizendo que os testes que visam avaliar o medicamento também deveriam levar em consideração os riscos em potencial.

As mudanças repentinas ressaltam o desafio enfrentado pelos governos conforme se apressam em encontrar maneiras de tratar os pacientes e controlar um vírus que se espalhou rapidamente por todo o mundo nos últimos três meses, matando mais de 350 mil pessoas e infectando milhões.

Elas também ilustram um recuo no mínimo temporário das agências reguladoras em relação a um medicamento que foi visto como uma opção de tratamento promissora no início da pandemia.

OMS

As ações de três dos países mais afetados pelas infecções e mortes decorrentes do coronavírus seguem a decisão tomada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na segunda-feira de interromper um grande teste de hidroxicloroquina por questão de segurança.

O cancelamento francês, que na prática proíbe o remédio para casos de covid-19, foi confirmado pelo Ministério da Saúde, sem mencionar a suspensão da OMS.

Em março, a França permitiu o uso da hidroxicloroquina, que além da malária é aprovada para tratar de lúpus e artrite reumatoide, para situações específicas em tratamentos hospitalares de covid-19.

Os Estados Unidos emitiram uma autorização de emergência para o remédio defendido pelo presidente Donald Trump, entre outros, como possível antídoto para o coronavírus.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é um fervoroso defensor da cloroquina, que teve a ampliação de seu uso no combate ao coronavírus autorizada pelo Ministério da Saúde por pressão do presidente.

O periódico científico britânico The Lancet noticiou que pacientes que receberam hidroxicloroquina sofreram taxas de mortalidade maiores e arritmia cardíaca, o que se somou a vários resultados decepcionantes do medicamento como opção de cura da covid-19.

Autoridades de saúde italianas concluíram que os riscos, aliados aos poucos indícios de que a hidroxicloroquina é benéfica contra a covid-19, justificam uma proibição fora dos testes clínicos.

Nenhuma vacina ou tratamento para covid-19 já foi aprovado.

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