Polícia da Índia mata suspeitos de estupro e assassinato 

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Publicado sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 as 11:37, por: CdB

Acusados de crime contra veterinária de 27 anos, quatro homens são mortos a tiros durante a reconstituição do delito. Policiais alegam que eles tentaram roubar suas armas. Ação divide indianos entre críticas e elogios.

Por Redação, com DW – de Hyderabad, Índia

A polícia da Índia matou a tiros quatro suspeitos de estuprar e matar uma mulher em Hyderabad, no sul do país, segundo informaram autoridades locais nesta sexta-feira.

Parte da população celebrou a morte de suspeitos pela polícia
Parte da população celebrou a morte de suspeitos pela polícia

Os quatro homens estavam sob custódia e não haviam sido formalmente condenados. Eles foram mortos pelos policiais na cena do crime, aonde tinham sido levados para a reconstituição do delito. O caso gerou reações adversas no país, com elogios e críticas à ação.

Os homens eram suspeitos de estuprar e matar recentemente uma veterinária de 27 anos. O corpo da vítima foi encontrado na semana passada próximo à cidade de Hyderabad, na região que agrupa o maior centro de tecnologia da Índia, um dia depois de ela ter desaparecido.

Por volta das 3 horas da madrugada desta sexta-feira, policiais levaram os suspeitos até uma passagem subterrânea onde supostamente o estupro e a morte ocorreram. Segundo o chefe da polícia local, “os suspeitos tomaram as armas dos policiais e começaram a atirar”. “Em vez de se renderem, eles continuaram atirando. Por isso, em resposta aos tiros, a polícia matou os quatro”, afirmou.

Horas depois, cerca de 300 pessoas se reuniram na cena do crime para celebrar a morte dos suspeitos, entre abraços e chuvas de flores nos policiais.

Nas ruas de cidades como Hyderabad, Nova Déli e Mumbai, e também nas redes sociais, os indianos protestaram contra a morosidade da Justiça e exigem que sentenças sejam proferidas mais rapidamente.

Após a morte da veterinária, a chefe da Comissão das Mulheres, Swati Maliwal, começou uma greve de fome por tempo indeterminado. Ela exige que os responsáveis por esse tipo de crime sejam enforcados em até seis meses.

Nesta sexta-feira, Maliwal disse que a “polícia não tinha outra escolha senão atirar”, e que continua com os pedidos de pena de morte para crimes de estupro, pois acredita que isso terá poder intimidatório.

Por outro lado, o partido Congresso Nacional da Índia e outros grupos de oposição levaram o caso ao Parlamento e exigem uma investigação do incidente. A Comissão Nacional de Direitos Humanos informou que faria uma análise na cena do crime.

– Esse tipo de justiça é equivocada. Essas mortes são uma estratégia para acabar com a nossa demanda de responsabilizar os governos, o judiciário e a polícia, e de dignidade e justiça para as mulheres. Exigimos uma investigação minuciosa do caso – disse Kavita Krishnan, secretária da Associação Progressiva de Todas as Mulheres da Índia (AIPWA).

Casos de estupro na Índia

Crimes contra as mulheres têm aumentado no país asiático. Em 2012, o estupro fatal de uma estudante de medicina dentro de um ônibus em movimento chocou o país, levando milhares de pessoas às ruas para exigir leis mais rigorosas contra o estupro.

Em janeiro do ano passado, uma menina de 8 anos foi brutalmente estuprada e assassinada no estado de Jammu e Caxemira. A garota muçulmana foi supostamente sequestrada, confinada sob sedativos e estuprada várias vezes dentro de um templo. Ela foi estrangulada e depois atingida por uma pedra pesada.

Na quinta-feira, uma mulher de 23 anos teve seu corpo incendiado a caminho de um tribunal na cidade de Unnao, no estado de Uttar Pradesh, onde testemunharia contra dois homens suspeitos de a terem estuprado.

A vítima se dirigia à audiência quando um grupo de homens a agrediu, mergulhando-a em gasolina antes de incendiá-la, de acordo com reportagens da mídia local. Ela está sendo tratada de queimaduras graves, e médicos descrevem sua condição como crítica. O estupro ocorreu em março.

Embora o governo tenha duplicado para 20 anos as penas de prisão para estupradores, os ativistas da sociedade civil continuam a exigir uma implementação mais rápida das leis. De acordo com os mais recentes números oficiais, a polícia indiana registrou 33.658 casos de estupro em 2017, uma média de 92 por dia.

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