Polícia ainda não tem pistas de quem matou jornalista brasileiro no Paraguai

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Publicado sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020 as 10:09, por: CdB

Léo Veras é executado quando jantava com a família em cidade na fronteira com o Brasil. Ele recebia ameaças por reportagens sobre tráfico na região, segundo investigadores. Entidades de jornalistas exigem apuração.

Por Redação, com DW – de Brasília

Passados três dias e as investigações, tanto no Brasil quanto no Paraguai, ainda não apontaram para quem foram os jagunços e mandantes do crime contra a vida do jornalista brasileiro Lourenço “Léo” Veras, de 52 anos. Ele foi executado por pistoleiros na noite de quarta-feira na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com a cidade mato-grossense de Ponta Porã.

Funeral de Léo Veras: jornalista recebia ameaças de morte por reportagens sobre tráfico de drogas na fronteira
Funeral de Léo Veras: jornalista recebia ameaças de morte por reportagens sobre tráfico de drogas na fronteira

O crime foi divulgado na véspera pelo procurador paraguaio Marco Amarilla, responsável pelo caso. Ele também disse que o assassinato ocorreu por volta das 21h, quando o repórter estava jantando no quintal de casa com sua mulher, sogro e filho pequeno.

Dois pistoleiros encapuzados invadiram o terreno da casa pelo portão, que estava aberto, após chegarem numa caminhonete branca. O jornalista tentou fugir, correndo para o pátio dos fundos do terreno, mas foi atingido com 11 tiros nas costas e um na cabeça.

Conforme informações da polícia paraguaia, os 12 disparos foram de pistola 9 milímetros. A vítima chegou a ser socorrida e levada a um hospital, mas não resistiu. O enterro foi na quinta-feira, em Ponta Porã.

Ameaças de morte

Segundo investigadores, Léo Veras vinha recebendo ameaças de morte pelo seu trabalho de investigação sobre tráfico de drogas na fronteira. Amarilla afirmou ao portal G1 que o profissional de imprensa sabia que queriam matá-lo.

Ele morava há 15 anos no Paraguai, onde trabalhava para vários veículos digitais e administrava o site Porã News, de notícias locais.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou o crime, através de comunicado, e pediu às autoridades de Paraguai e Brasil para que trabalhem “de forma coordenada, exaustiva e urgente para conhecer a verdade, julgar e condenar os assassinos”.

O Sindicato dos Jornalistas do Paraguai exigiu que as autoridades “garantam a vida e a segurança dos colegas na região, além de esclarecer esse crime terrível e julgar devidamente os culpados, evitando que a impunidade se instale”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul (Sindjor-MS) também divulgou um texto lamentando a execução do jornalista.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores e Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) emitiram uma nota conjunta lamentando o assassinato de Veras e pedindo apuração rápida do caso pelas autoridades dos dois países.

 

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