População protesta contra falta de médicos e equipamentos em hospital de SP

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Publicado quinta-feira, 24 de outubro de 2019 as 14:09, por: CdB

Usuários do Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista, realizaram ato denunciando problemas na infraestrutura e falta de profissionais.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

O Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul da cidade de São Paulo, tem um déficit hoje de pelo menos 500 profissionais em seu quadro de funcionários, sendo 100 deles médicos.

“Nós não iremos aceitar isso. Tem dinheiro para as organizações sociais, mas não tem dinheiro para o povo. Nós estamos aqui exigindo saúde já”, contesta manifestante

Segundo os usuários, a infraestrutura também deixa a desejar, com falta de itens básicos como fita de medição de glicemia e problemas com elevadores. O colapso da unidade hospitalar foi denunciada na quarta-feira pela população que depende do equipamento público. Em ato em frente ao Hospital, usuários reivindicaram melhorias na estrutura.

“Nós não iremos aceitar isso. Tem dinheiro para as organizações sociais, mas não tem dinheiro para o povo. Nós estamos aqui exigindo saúde já”, protestava um manifestante. Há dois anos, a paciente Maria de Lourdes faz tratamento de artrite e artrose na unidade que, de acordo com ela, vive lotada. Principal referência para casos de trauma, Maria de Lourdes explica que a maioria dos acidentes na região são encaminhados ao hospital, o que agrava a defasagem no quadro de profissionais. “Nós temos funcionários que têm que tomar conta de 12, mas que tomam conta de 30 (pacientes)”, explica.

Ao repórter André Gianocari, do Seu Jornal, da TVT, conselheiros gestores apontaram que o hospital tem atuado com apenas 40% do quadro de funcionários e com a falta de materiais como insumos básicos a equipamentos ortopédicos e de tomografia. Ainda de acordo com os conselheiros, a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) chegou a ir à unidade nesta semana e disse que enviaria dois tomógrafos, mas a população cobra a documentação da promessa.

“O que nós estamos precisando aqui no Hospital do Campo Limpo é a contratação de urgência de concursos públicos, que já foram realizados”, contesta o integrante do Movimento Popular de Saúde do M’Boi Mirim Anderson Lopes. “Mas o prefeito não chama, ele só quer vender o espaço público, privatizar”, diz, em referência ao projeto de Covas que trata da venda de 41 terrenos municipais.

Hospital

Moradores da zona oeste da capital paulista, funcionários e médicos do Hospital e Maternidade Mário Degni realizaram um ato, na terça-feira, para denunciar o desmonte da unidade.

Levantamento do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) indica que, dos 63 médicos que são necessários para atender os plantões de 24 horas, o hospital conta com apenas 31. A situação é mais crítica no setor de ginecologia e obstetrícia, onde deveria haver 21 médicos e apenas seis estão prestando atendimento – um déficit de 15 profissionais.

Segundo os relatos, há quatro meses o hospital não consegue manter o atendimento por falta de médicos. A neonatologia passa pelo mesmo problema: do número ideal de 14 profissionais, o hospital conta apenas com cinco.

– Nós estamos sofrendo um processo de desmonte que vem acontecendo na saúde por conta da visão privatista que tem o prefeito Bruno Covas (PSDB). Ultimamente, os plantões são realizados com 25% da capacidade que deveriam ter – denuncia Santana Silva, do Coletivo Butantã na Luta, ao repórter André Gianocari, da TVT.

Uma carta assinada pelos próprios médicos do hospital e endereçada à Secretaria Municipal de Saúde, com cópias para o Ministério Público, denunciou a precariedade do atendimento à população naquela unidade hospitalar.

– O hospital está trabalhando no limite, todos os procedimentos eletivos estão suspensos para dar conta da demanda de gestantes que chegam. Somado a isso, a região oeste da capital sofre com o desmonte do Hospital Universitário da USP, que faz com que a demanda do Mario Degni aumente muito – explica Eder Gatti, presidente do Simesp.

O hospital é referência em violência contra a mulher e gravidez de risco, mas alguns serviços simplesmente deixaram de ser prestados. “Vários procedimentos eletivos foram suspensos para dar conta da urgências e emergências. Por exemplo, médicos, que antes trabalhavam com programas de planejamento familiar, faziam cirurgias e laqueaduras não fazem mais, porque têm de ajudar os colegas que estão sobrecarregados”, acrescentou Eder.

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