Prefeitura do Rio: direita fragmentada e esquerda desanimada

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Publicado quarta-feira, 11 de março de 2020 as 16:41, por: CdB

Crivella, Paes e as micro candidaturas Amorim, Bandeira, juíza Glória Heloisa, Bebiano, Messina e Cristiane Brasil compõem o setor conservador. Mas não estão só. Há ainda outros nomes que disputam espaço em legendas menores aguardando, aparentemente, cargos futuros.

Por Fábio Lau – do Rio de Janeiro

As eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro poderão substituir para nunca mais o primeiro evangélico a chegar ao poder, hoje com alto índice de rejeição. Teoricamente o cenário plasmado indicaria um ambiente favorável à esquerda – que desde Saturnino Braga, na década de 80, não entra no Palácio da Cidade.

Marcelo Freixo (PSOL-RJ) coloca sua candidatura à Presidência da Câmara
Marcelo Freixo (PSOL-RJ) coloca sua candidatura à prefeitura do Rio

Mas a verdade é que está longe disso. Embora pela primeira vez a direita entre na disputa mais rachada do que o campo progressista, há um evidente desânimo entre estas candidaturas. Mas a coisa não é mais fácil no outro campo, o conservador. Lá são dez nomes e, por sorte, ali também ninguém se entende

Crivella, Paes e as micro candidaturas Amorim, Bandeira, juíza Glória Heloisa, Bebiano, Messina e Cristiane Brasil compõem o setor conservador. Mas não estão só. Há ainda outros nomes que disputam espaço em legendas menores aguardando, aparentemente, cargos futuros: Hugo Leal e Calero entre eles.

Espaço político

O cenário poderia ser bom para a esquerda, mas ela se divide entre Freixo, Brizola Neto e Marta Rocha. Há quem defenda, com alguma razão, que a ex-delegada Marta Rocha não tenha perfil de uma candidatura de esquerda, embora seja a representante do partido de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

E não deixam de ter razão tendo em vista que a deputada estadual não erga bandeiras em favor de minorias ou causas populares: comunidade favelada, cracudos, LGBT ou sem-teto. Como delegada e ex-dirigente da Polícia Civil, tem projetos em favor das mulheres.

Brizola Neto, do PDT, em busca de espaço político, também não é um político com identidade definida. Já foi vereador, deputado federal e ministro do Trabalho. Mas a robustez não o impregnou. É o fenômeno onde o mesmo que lhe dá visibilidade ajuda a ofuscá-lo.

Outubro logo ali

Mas, se olharmos com o distanciamento imposto pelo tempo, a análise possível e menos traumática seria por eliminação. Vamos a ela:

  • Não há possibilidade de vitória de nenhuma candidatura no primeiro turno.
  • Crivella é quem mais perde com a pulverização da direita.
  • O fator Bolsonaro pode ser a tábua de salvação dele e do presidente. Mas salvar Crivella pode custar caro demais. E deixar morrer e garantir a vitória de Paes sobre Freixo sairá mais barato.
  • O adversário ideal de Paes seria Crivella – pela comparação inevitável e o desgaste aparentemente irreversível do pastor da Universal.

Milícia

A chance dos dois disputarem o segundo turno é menor do que a de Freixo alcançar a vaga. Portanto teremos um ou outro.

  • Freixo cresceria com um vice distanciado do campo da esquerda – alguém identificado com a Cultura ou Negócios/emprego – dois setores abandonados na atual gestão.
  • Freixo sofre recente desgaste com a escolha, pela mulher, a autora Antonia Pellegrino, de um diretor de direita para dirigir o filme de Marielle Franco. Embora não seja dele a decisão, é inevitável uma associação. “É como o sujeito ver nascer um morcego dentro de casa, mas não poder espantar porque a mulher é ecologista”, comparou um velho jornalista na sua página em rede social.
  • Brizola Neto e Marta Rocha só fariam sentido juntos. Dificilmente somarão 10%. A ele falta bandeira – como já foi dito. Seu maior apelo é o pedigree político. E, no nicho do avô, poderia ter enfrentado problemas na Educação (com a defesa do Ensino Integral), democratização do transporte e maior investimento nas áreas pobres da cidade.
  • Sem penetração na Zona Oeste, Freixo perde a eleição para qualquer um dos candidatos – Paes e Crivella. Nesta região a presença da milícia é ostensiva (e não apenas na Zona Oeste) onde o candidato é identificado como adversário maior.
  • A esquerda unida não elegeria Freixo – a menos que amplie com um(a) vice palatável à classe média: mulher, popular com ligação às artes (um nome que transcenda a geografia miliciana) ou de negócios.

Quem é este nome?

Por tudo isso, as eleições de outubro, no Rio, tendem ser surpreendentemente iguais a outras que já vivemos por aqui.

Mas, calma! Nem tudo está perdido. Tudo indica que a esquerda saberá ampliar sua presença na Câmara. Não é nada, não é nada…

Fábio Lau é jornalista e defende candidatura única da esquerda com esforço concentrado no parlamento. Mas prega no deserto.

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