Presidente reafirma seu desprezo à liberdade de imprensa, no Brasil

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Publicado segunda-feira, 6 de janeiro de 2020 as 14:45, por: CdB

Em média, a cada três dias Bolsonaro promove algum tipo de discurso de ódio contra jornalistas e veículos das mídias conservadora e independente. O levantamento da Fenaj leva em conta apenas registros escritos em veículos tidos como oficiais, como as redes sociais do presidente.

 

Por Redação – de Brasília

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a deixar claro o seu desprezo pela liberdade de imprensa, no Brasil, aos afirmar, nesta segunda-feira, que os jornalistas são uma “raça em extinção”.

— Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado. Tem de mudar isso. Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Vocês são uma raça em extinção — afirmou o mandatário neofascista.

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Ao longo de seu primeiro ano de governo, Bolsonaro desfechou uma série de ataques aos profissionais da imprensa. Um levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgado nesta manhã, mostra que chega quase a uma dezena o número de ataques de Bolsonaro à imprensa, mensalmente, no total de 116 em 2019.

Em média, a cada três dias Bolsonaro promove algum tipo de discurso de ódio contra jornalistas e veículos das mídias conservadora e independente. O levantamento da Fenaj leva em conta apenas registros escritos em veículos tidos como oficiais, como as redes sociais do presidente.

Denúncias

Na prática, o número pode ser ainda superior. Por exemplo, no dia 20 de dezembro, em uma coletiva, Bolsonaro atacou de forma virulenta jornalistas que o questionavam sobre escândalos envolvendo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Na ocasião, ainda fez ataques homofóbicos:

— Você tem uma cara de homossexual terrível — disse a um repórter.

Segundo o diretor da Fenaj Márcio Garoni, “as declarações do presidente alimentaram a hostilidade contra jornalistas neste ano de 2019”.

— Alguns ministros também passaram a fazer uso dessa tática, e isso incentivou apoiadores do governo a perseguir os jornalistas nos meios digitais, com mensagens ameaçadoras e exposição de dados privados. É uma tentativa desesperada de enfraquecer o exercício do jornalismo, e de desviar o foco das denúncias contra o governo que vêm se somando desde o início de 2019 — conclui Garoni.

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