Sob protestos, Jair Bolsonaro tece novos elogios às Forças Armadas brasileiras

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Publicado quinta-feira, 10 de setembro de 2020 as 16:19, por: CdB

A ideia de que a democracia brasileira cabe à ação das Forças Armadas é uma fala recorrente do presidente, que já chegou a dizer que a “democracia e a liberdade só existem quando as Forças Armadas querem”.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O presidente Jair Bolsonaro voltou a tecer, nesta quinta-feira, elogios extemporâneos às Forças Armadas. Repetiu que os militares são “os verdadeiros guardiões” da democracia e que estão no caminho certo.

Bolsonaro passa em revista as tropas, na formação de sargentos da Marinha, no Rio de Janeiro
Bolsonaro passa em revista as tropas, na formação de sargentos da Marinha, no Rio de Janeiro

— Nós – Marinha, Exército e Aeronáutica – o povo bem comprova que nós estamos no caminho certo e que nós somos os verdadeiros guardiões da nossa democracia e tudo faremos pela nossa liberdade — discursou Bolsonaro durante a cerimônia de formatura do curso de sargentos da Marinha, na Zona Norte da Cidade.

A ideia de que a democracia brasileira cabe à ação das Forças Armadas é uma fala recorrente do presidente, que já chegou a dizer que a “democracia e a liberdade só existem quando as Forças Armadas querem”.

Traidor

Enquanto discursava, cerca de 30 manifestantes, entre eles pensionistas, integrantes da reserva e reformados das Forças Armadas, realizavam um protesto em frente ao Centro de Instrução Almirante Alexandrino, no bairro da Penha. Eles levaram faixas contra a lei 13.954/19, que mudou a Previdência dos militares, e protestaram aos gritos de “Bolsonaro traidor!”.

O grupo sublinhava que a reforma da Previdência dos militares atingiu apenas a base – que, assim, teve seus rendimentos reduzidos. Na outra ponta, elevou os vencimentos aos oficiais graduados, entre eles os coronéis e generais. A mudança da lei passou a vigorar no início deste ano. 

— As pensionistas, que não pagavam, são tributadas agora em 10,5%, e vai aumentar mais 1% no próximo ano. Nós (da reserva) pagávamos 7,5% e passamos a pagar 10,5%. E os generais tiveram um acréscimo de salário de quase 60% — afirmou Zacarias Vieira, um dos manifestantes, a jornalistas.

Punhalada

O grupo argumenta que esteve 18 vezes em Brasília para tentar um acordo, mas não conseguiu.

— Estão nos fazendo de trouxa. Sou mãe de militar, esposa de militar, uma vida inteira… Nós não temos nem hospital. As pessoas pensam que a gente tem uma vida econômica boa. Quem tem vida econômica boa são os generais que tiveram quase 100% de aumento, escalonado — protestou a manifestante Cibele Lima à reportagem do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, presente no local.

Lima estava entre os manifestantes que acusaram Bolsonaro de trair os militares.

— Esse homem ficou às custas das tropas por 27 anos. Quando ele queria vir fazer política dentro dos quartéis eles proibiam. Quem segurava eram os graduados. E agora ele vira as costas. Essa lei sangra. Foi uma punhalada que a gente levou pelas costas — protestou

Opinião do CdB

No estrito cumprimento do dever, na letra fria da Constituição

Entendemos as Forças Armadas como o instrumento do Estado que deverá garantir, às vias de fato se necessário for, a vida até o último milímetro das nossas fronteiras, da forma como quer e bem entende a maioria do povo brasileiro, com a vontade expressa em eleições realizadas na forma da Lei. Tanto assim, que são integradas por todos nós, homens e mulheres em idade pronta para o combate.

Exército, Marinha e Aeronáutica estão aqui para cumprir, estrita e integralmente, o texto da Constituição Brasileira. Portanto, não carecem de elogios, exceto por heroísmo em atos acima e além do dever cumprido. Menos ainda da bajulação de qualquer um dos integrantes dos Três Poderes da República, com o objetivo de levá-las ao mau caminho da quartelada, do golpe de Estado ou pior, a ditadura militar. O único sentimento a guiar as Forças Armadas brasileiras deverá ser, sempre e tanto, a defesa de cada letra do texto constitucional. Nem mais. Nem menos.

Gilberto de Souza
Editor-chefe

Correio do Brasil

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