Quase 50 mil mortes e o Brasil desgovernado

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Publicado sexta-feira, 19 de junho de 2020 as 10:14, por: CdB

Com quase 50 mil mortos pela covid-19, o Brasil está totalmente desgovernado. Dois ministros da Saúde foram defenestrados em plena pandemia e a pasta está hoje sob ocupação militar.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

Com quase 50 mil mortos pela covid-19, o Brasil está totalmente desgovernado. Dois ministros da Saúde foram defenestrados em plena pandemia e a pasta está hoje sob ocupação militar. Em matéria publicada na quarta-feira, o jornal Valor dá mais uma prova da incompetência de Bolsonaro: “Na Saúde, governo gasta só 28% do total autorizado pra despesas emergenciais”, destaca o título.

Com quase 50 mil mortos pela covid-19, o Brasil está totalmente desgovernado
Com quase 50 mil mortos pela covid-19, o Brasil está totalmente desgovernado

Dos R$ 12,5 bilhões autorizados no orçamento da Saúde neste ano, apenas 28,3% foram gastos até agora, segundo dados da Instituição Fiscal Independente (IFI). “É preocupante, porque sabemos que Estados e municípios precisam de celeridade no ataque frontal à pandemia”, alerta o diretor-executivo da IFI, Felipe Salto.

Para ele, “a baixa execução mostra a falta de coordenação do governo, o peso da burocracia e a falta de zelo para garantir que os recursos cheguem à ponta”. O diretor do IFI poderia acrescentar ainda a ausência de sensibilidade social do “capetão” e a inépcia de um governo composto por terraplanistas e imbecis. Enquanto Bolsonaro, Paulos Guedes e os abutres financeiros se preocupam unicamente com o tal “déficit fiscal”, os brasileiros morrem por covid-19! Uma tragédia histórica!

A incompetência retratada na mídia mundial 

A total incompetência do laranjal da extrema-direita nativa já é consenso na imprensa internacional. Na quarta-feira, vários veículos estrangeiros voltaram a tratar do tema, conforme levantamento do jornalista Olímpio Cruz. No Washington Post, reportagem de capa assinada por Terrence McCoy destacou que “inação do governo brasileiro coloca o país em um caminho desconhecido”.

O artigo registra que Bolsonaro ignorou avisos e que agora, enquanto outros países se preocupam com uma segunda onda do coronavírus, o Brasil não consegue superar nem a primeira. O relato de Terrence McCoy é um petardo contra o “capetão”, servindo para desgastar ainda mais a imagem do país no exterior:

“O que está acontecendo aqui parece ser globalmente único. Apesar dos números crescentes, as autoridades não implementaram medidas amplamente bem-sucedidas em outras partes do mundo. Não houve bloqueio nacional. Nenhuma campanha nacional de testes. Nenhum plano acordado. A expansão dos cuidados de saúde foi insuficiente. Em vez disso, as cidades mais atingidas estão abrindo as portas para shoppings e igrejas, mesmo quando o país costuma publicar mais de 30 mil novos casos por dia, cinco vezes mais do que a Itália relatou no auge de seu surto”.

Já a semanal britânica The Guardian Weekly aponta que a abordagem “pouco ortodoxa” de Jair Bolsonaro diante da pandemia permitiu que o Brasil ultrapassasse o Reino Unido e se tornasse a segunda nação mais mortal do planeta.

E o jornal argentino Página-12 publica artigo do jornalista Eric Nepomuceno alertando que o surto da covid-19 no Brasil ganha proporções assustadoras. “A pandemia cobra 13 infecções por minuto e o governo não reage”, destaca o título da reportagem. “O vírus está devastando vidas diante da inércia radical do governo brasileiro e da atitude fraca de governadores e prefeitos, cada vez mais pressionados por comerciantes e empresários”.

 

Altamiro Borges, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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