Reinfecção pela covid-19 pode ser mais grave, diz estudo

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Publicado terça-feira, 13 de outubro de 2020 as 11:32, por: CdB

Pesquisadores chamam atenção para caso de americano que contraiu covid-19 pela segunda vez e precisou de ajuda respiratória. Constatação pode mudar não só corrida por vacina, como forma como mundo combate a pandemia.

Por Redação, com DW e Sputnik – de Nova York/Moscou

Pacientes que já tiveram covid-19 e se curaram podem enfrentar sintomas mais graves no caso de uma segunda infecção, segundo um estudo publicado nesta terça-feira na revista científica The Lancet.

Confirmação de reinfecções preocupa pesquisadores
Confirmação de reinfecções preocupa pesquisadores

O estudo foca no primeiro caso de reinfecção pelo coronavírus Sars-Cov-2 já registrado nos Estados Unidos: um homem de 25 anos do Estado de Nevada, infectado por duas variantes diferentes do vírus, num intervalo de 48 dias.

A segunda infecção foi mais severa que a primeira e resultou na hospitalização do paciente, que precisou receber ajuda respiratória.

O estudo menciona ainda outros quatro casos de reinfecção pelo coronavírus documentados, em Bélgica, Holanda, Hong Kong e Equador.

Pesquisadores dizem que a perspectiva de reinfecção pode ter um impacto profundo na forma como o mundo luta contra a pandemia. Poderia, sobretudo, influenciar a busca por uma vacina.

– A possibilidade de reinfecções poderia ter implicações significativas para nossa compreensão da imunidade da covid-19, especialmente na ausência de uma vacina eficaz – diz Mark Pandori, do Laboratório de Saúde Pública do estado de Nevada e principal autor do estudo.

– Precisamos de mais pesquisas para entender quanto tempo a imunidade pode durar para as pessoas expostas ao Sars-CoV-2 e por que algumas dessas segundas infecções, embora raras, estão sendo mais graves.

Influência sobre vacinação

Os cientistas dizem que, embora os casos conhecidos de reinfecção ainda pareçam raros, o paciente de Nevada já se recuperou, a possibilidade é por si só preocupante.

– Está ficando cada vez mais claro que as reinfecções são possíveis, mas ainda não podemos saber se isso será comum – diz Simon Clarke, especialista em microbiologia da Universidade Reading, no Reino Unido, à agência de notícias Reuters.

– Se as pessoas podem ser reinfectadas facilmente, isso também pode ter implicações para os programas de vacinação, bem como para a nossa compreensão de quando e como a pandemia terminará – complementa.

Os médicos do paciente de Nevada, que relataram o caso pela primeira vez em um estudo inicial, não revisado, em agosto, dizem que testes sofisticados mostraram que as cepas do vírus associadas a cada surto de infecção são geneticamente diferentes.

– Estas descobertas reforçam o ponto de que ainda não sabemos o suficiente sobre a resposta imunológica a essa infecção – diz Paul Hunter, professor de Medicina da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Real cifra de reinfecções é incógnita

Vacinas funcionam desencadeando a resposta imunológica natural do corpo a um determinado patógeno, ou seja, ela arma o corpo com anticorpos para combater futuras ondas de infecção.

Mas ainda não está claro quanto tempo duram os anticorpos da covid-19.

Para algumas doenças, como o sarampo, a infecção confere imunidade vitalícia. Para outros patógenos, a imunidade pode ser temporária, na melhor das hipóteses.

Os autores do estudo na Lancet dizem que o paciente americano pode ter sido exposto a uma dose muito alta do vírus pela segunda vez, o que provocou uma reação mais grave.

Também é possível que ele tenha sido infectado por uma cepa mais forte do vírus. Outra hipótese é que os anticorpos realmente pioraram a infecção subsequente, algo já registrado em outras doenças.

Os pesquisadores apontaram que a reinfecção de qualquer tipo permanece rara, com apenas poucos casos confirmados em dezenas de milhões de infecções pelo Sars-Cov-2 em todo o mundo.

No entanto, como muitos casos são assintomáticos e não foram confirmados por teste, pode ser impossível saber se um determinado caso de covid-19 é a primeira ou a segunda infecção.

Caraterística ‘traiçoeira’ do coronavírus

O novo coronavírus pode provocar o aparecimento de anticorpos contra a proteína interferon, afirmou o diretor do Centro Gamaleya, Aleksandr Gintsburg, à agência russa de notícias Sputnik.

Interferon é uma proteína antiviral do corpo humano, e a escassez de interferon pode ocasionar consequências fatais, principalmente se organismo for atacado pelo novo coronavírus, causador da doença covid-19.

– Quanto mais sabemos sobre o mecanismo patogênico deste patógeno (coronavírus), mais entendemos que ele se torna, em nossa percepção, cada vez mais traiçoeiro (…), produzindo, por exemplo, em 10-15% dos doentes em estado grave anticorpos contra o interferon, que bloqueiam não só a resposta imune secundária, mas até a resposta imune inata – explicou o diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya.

A pandemia já matou pelo menos 1,07 milhão de pessoas, e quase 38 milhões foram infectadas em todo o mundo. Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar em termos de número de infectados, seguidos por Índia e Brasil.

A Rússia está na quarta posição. Desde março, foram registrados 1.326.178 casos de covid-19, quase 23 mil pacientes morreram, e mais de 1,03 milhão conseguiram vencer a infecção em território russo.

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