Rio: Unidos da Tijuca fechou o desfile do Grupo Especial

Arquivado em: Destaque do Dia, Rio de Janeiro, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 4 de março de 2019 as 10:47, por: CdB

O samba-enredo defendeu o amor ao próximo e a ideia de que se cada um desempenhar a sua função no mundo, a vida da humanidade pode ser melhor.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

A Unidos da Tijuca encerrou nesta segunda-feira o primeiro dia do desfile do Grupo Especial com um desfile emocionante e é forte concorrente ao título de campeã de 2019. Os componentes cantaram o samba em tom de deferência como se fosse uma oração. O público nas arquibancadas também se deixou levar pela mensagem de união que a escola propôs com o enredo “Cada macaco no seu galho”.

A Unidos da Tijuca encerrou nesta segunda-feira o primeiro dia do desfile do Grupo Especial

O samba-enredo defendeu o amor ao próximo e a ideia de que se cada um desempenhar a sua função no mundo, a vida da humanidade pode ser melhor.

As encenações à frente de cada alegoria, criadas pelo ator e diretor Jan Oliveira, provocaram impacto, principalmente, a que veio na frente do carro “Comendo o pão que o diabo amassou” que é em forma de um navio negreiro.

Emoção

Outra encenação que se destacou foi a do “Cristo carregando a cruz” e sendo açoitado, que estava na frente da alegoria Multiplica o sagrado pão, onde nas laterais senhoras vestidas de Nossa Senhora cantavam o samba em tom de clamor em direção do público.

Aos prantos, Hélcio Paim, desabafou. “Estou muito emocionado”, disse. “Desfile emocionante. Mostramos que estamos recuperados e disputando o título com muita dignidade”, disse Marcus Paulo, outro integrante da comissão de carnaval.

O presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, destacou que o forte canto da escola se deve a grande presença da comunidade do Borel. “O meu componente é diferenciado a gente ficou aqui até essa hora da manhã e eles ainda estão aí contentes com alegres”, disse.

Orixá

Emoção também foi o que se viu no desfile do Salgueiro que entrou na avenida com toda a força de Xangô, orixá da justiça e padroeiro da escola. O canto forte e a animação dos seus 3,5 mil componentes em 30 alas empolgaram o público.

O intérprete Quinho, que voltou ao Salgueiro, vibrou com o retorno.” É a mesma coisa do que ser convocado pela primeira vez pela seleção brasileira ou então fazer um gol em final de copa do mundo”, indicou.

Contado em cinco setores, o enredo da vermelho e branco da Tijuca, que foi a quarta escola a desfilar, foi contado ao longo do desfile com o apoio de cinco alegorias. No sincretismo Xangô tem como representação de São Jerônimo e o santo católico apareceu na alegoria da comissão de frente.

– Foi uma emoção muito grande até porque sou filho de Xangô no candomblé – disse Eduardo Lopes, que há 10 anos integra a comissão de frente.

Alegoria

Na figura de Xangô no alto da alegoria da comissão de frente, o ex- passista Quinho, levantou o público em vários momentos da coreografia em que fazia a dança do orixá utilizando dois machados, símbolo de Xangô.

– Parecia que não era eu e alguma coisa estava me conduzindo ali. Foi muito emocionante. Chorei o tempo todo. É a minha escola. Desfilo desde 2012 – afirmou Quinho.

Para o carnavalesco Alex de Souza, a escola de samba tem um papel social. “O país que carece tanto de soluções, a gente trouxe o povo no fim com duas bandeiras de luta”, disse o carnavalesco.

Saudações

Ao pisar na passarela do samba, a Beija-Flor foi saudada pelo público do setor 1 como bicampeã. A torcida concentrada na área mais popular da Marquês de Sapucaí se emocionou com o intérprete da azul e branco, Neguinho da Beija-Flor. Neste ano, o cantor completa 10 anos do desfile que marcou o fim de um tratamento contra um câncer e o casamento na pista realizado na concentração do Sambódromo com a companheira que estava grávida.

Com o enredo “Quem não viu vai ver… As fábulas do Beija-Flor”, a agremiação celebrou os 70 anos de história com uma releitura dos enredos mais marcantes que levou para a Sapucaí. Novamente o Cristo que passou coberto com um saco plástico preto no enredo Ratos e Urubus rasguem a minha fantasia em 1989, voltou este ano, dessa vez, completamente à mostra e mexeu com as arquibancadas.

Selminha Sorriso, porta-bandeira da escola há 24 anos, afirmou que se sente orgulhosa de fazer parte da história da Beija- Flor. “Vinte e quatro anos. Que alegria tanto tempo junto com o mesmo mestre sala o Claudinho. É muito felicidade. Espero dar os 40 pontos [pontos do quesito] para a minha escola”, disse.

Marcelo Misailidis, coreógrafo da comissão de frente, afirmou ter ficado satisfeito com a atuação dos integrantes. “Cumpriu com certeza com que estava esperando. Estamos esperando o bi [bicanpeonato] agora. Muito bom”, disse.

Dinheiro

A Imperatriz Leopoldinense que somou oito títulos de campeã entre 1980 e 2001 busca neste ano o campeonato com o enredo “Me dá um dinheiro aí”. A escola contou desde a criação do dinheiro com as mais antigas moedas até os dias atuais, passando por críticas à ganância. O samba leve contagiou os componentes e o público.

A escola, no entanto, teve alguns problemas na avenida. Um tripé teve problemas na roda e por decisão do carnavalesco ficou de fora do desfile. “Ele caiu em um buraco”, afirmou diretor de carnaval Wagner Araujo. “A gente aprendeu que talvez não permita este tipo de alegoria. Tentou consertar mas o carnavalesco achou que não valia a pena.”

O abre-alas que era formado por duas partes acopladas também não conseguiu seguir o desfile dessa forma e precisou ser separado. “A gente foi obrigado a desacoplar”, disse o diretor.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *