Ruídos no governo Bolsonaro embaralham discurso ufanista de Guedes, em Davos

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Publicado sexta-feira, 17 de janeiro de 2020 as 15:07, por: CdB

A cacofonia começa na paralisação que insiste em manter o Produto Interno Brasileiro (PIB) em níveis mínimos. Continua no discurso de inspiração nazista do ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim e termina com a denúncia, aceita pela Justiça, de envolvimento de seu assessor especial Esteves Colnago, em um rumoroso escândalo de corrupção.

 

Por Redação – de Brasília

 

Ministro da Economia, Paulo Guedes embarcará para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com três ruídos capazes de embaralhar o discurso ufanista sobre seus planos para o país. As trapalhadas na gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) o colocam em posição delicada junto aos investidores internacionais.

Colnago foi considerado réu em ação sobre desvio de recursos dos fundos de investimento geridos por Paulo Guedes
Colnago foi considerado réu em ação sobre desvio de recursos dos fundos de investimento geridos por Paulo Guedes

A cacofonia começa na paralisação que insiste em manter o Produto Interno Brasileiro (PIB) em níveis mínimos. Continua no discurso de inspiração nazista do ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim e termina com a denúncia, aceita pela Justiça, de envolvimento de seu assessor especial Esteves Colnago, em um rumoroso escândalo de corrupção.

Nesta sexta-feira, o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney de Oliveira, aceitou a denúncia contra o ex-ministro do Planejamento no governo passado, Esteves Colnago, atualmente assessor especial do ministro Guedes. Colnago figura, ao lado de 28 outros envolvidos, entre os réus por fraudes nos principais fundos de pensão de empresas estatais e privadas.

Denunciados

O inquérito integra a Operação Greenfield. Segundo promotores do Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF), os 29 gestores dos fundos Petros (da Petrobras), Funcef (da Caixa Econômica), Previ (do Banco do Brasil) e Valia (da Vale S.A.) participaram de investimentos irregulares da empresa Sete Brasil. As operações fraudulentas teriam causado prejuízos equivalentes a R$ 5,5 bilhões.

A Sete Brasil – contratada para a construção de sondas para a exploração do pré-sal – recebia investimentos por meio de um fundo específico. As operações, de acordo com o MPF-DF, foram autorizadas por Colnago, que participava do conselho deliberativo da Funcef.

No inquérito, segundo o juiz Vallisney, “o MPF produziu e apresentou a este Juízo peça acusatória formalmente apta, acompanhada de vasto material probatório, contendo a descrição pormenorizada contra todos os denunciados (então dirigentes, conselheiros e responsáveis pelos investimentos no âmbito da Petros, Funcef, Previ e Valia), como incursos no delito de gestão temerária pela constituição e aportes ao FIP SONDAS, entre os anos de 2011 e 2016”.

Articulação

Em périplo internacional que também incluirá passagens por São Francisco, nos Estados Unidos, e Nova Delhi o ministro deverá ficar fora do país de 16 a 27 de janeiro. No grupo que já solicitou encontros em Davos, estão presidentes de empresas de diversos setores, incluindo financeiro, de energia, tecnologia e bebidas.

Guedes já havia determinado a transferência de Colnago da Secretaria Especial Adjunta de Fazenda do Ministério da Economia o gabinete do ministro, no posto de assessor especial. Servidor de carreira do Banco Central, ele é agora chefe da Assessoria Especial de Relações Institucionais do Ministério da Economia.

No governo Michel Temer, Colnago já participava da articulação com o Congresso na aprovação de um conjunto de reformas propostas, as mesmas encampadas por Guedes em novembro do ano passado.

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